30 antes dos 30: Aniki Bóbó

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Aniki Bóbó (1942)

Apesar de não estar na lista, achei que não podia passar pelo melhor do cinema sem ver Manoel de Oliveira. No dia em morreu, aos 106 anos, conheci a sua primeira longa-metragem de ficção.

Aniki Bóbó (1942) é um retrato ternurento da infância passada nas margens do Douro, durante os anos da Segunda Guerra. Das histórias e aventuras de miúdos que escapavam à escola para ir ver os comboios a passar. De crianças que diziam coisas de adultos com pronúncia cerrada e vozes de pequeno. Uma estória quase clássica de boy meets girl.

“Queres brincar comigo?”

A pergunta é simples e liga Carlitos e Teresinha. Pelo meio há ainda um Eduardinho fanfarrão a desafiar a fibra do protagonista, uma Loja das Tentações e uma boneca. Há correrias livres pelas ruas da cidade e mergulhos no rio. Há um roubo, uma falsa acusação, uma reposição da verdade e uma contrição. Há o medo dos demónios escuros na noite.

“Também tu, Teresinha? Também me acusas? Mas eu não tive culpa.”

Há uma lengalenga que separa os polícias e os ladrões nessas brincadeiras de rua.

“Aniki Bebé, Aniki Bóbó
Passarinho totó
Berimbau, cavaquinho
Salomão, sacristão
Polícia, ladrão”

Há uma lengalenga repetida há mais de 70 anos.

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anikibobo

Aniki Bóbó (1942)
Manoel de Oliveira (1908-2015)

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