30 antes dos 30: A Flor do Equinócio

A Flor do Equinócio (1958)

A Flor do Equinócio (1958)

A Flor do Equinócio passou na RTP2 no sábado. Sabendo que estava na lista, e vendo bom cinema na televisão nacional, fiquei a acompanhar este que é um dos filmes da lista e que pertence a um dos maiores mestres do cinema japonês.

Yasujiro Ozu atravessou eras e as suas obras relatam a evolução do cinema como arte. A Flor do Equinócio (Higanbana, no original) foi o primeiro filme que fez a cores e é especial também por esse motivo. Para as filmagens, Ozu escolheu a marca Agfa por achar que essa película representava as cores vermelhas melhor que as Fujifilm e Kodak. Se a princípio o título do filme não parece ter relação com o seu conteúdo, logo percebemos que a importância desta escolha está associada ao nome: a flor do equinócio é vermelha. O resultado é uma paleta de cores esbatida e subtil que não choca por ser a primeira vez que Ozu filma fora do registo preto e branco.

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30 antes dos 30: The Big Lebowski

The Big Lebowski (1998)

The Big Lebowski (1998)

Joel e Ethan Coen entregam histórias estranhas e cativantes. Fazem equilíbrios perfeitos entre enredos inusitados e humor subtil. The Big Lebowski é assim.

Três dos meus conselheiros tinham determinado que não podia passar dos 30 sem ver este filme. As expectativas eram elevadas mas nada do que encontrei aqui correspondia ao que esperava. Sem conhecer a história (suspeito que era a única pessoa), foi fácil imaginar uma personagem maior para Jeff Bridges do que a de um pacifista arraçado de bum. Valeram-lhe os White Russians, os man a fechar cada frase e aquele jeito descontraído com que encara a sucessão de infortúnios que lhe acontecem. (Quem é que se preocuparia com o tapete da entrada depois de ver a sua cabeça enfiada na sanita?) Valeu-lhe também o efeito da idade. É que este filme saiu em 1998, ainda eu não tinha completado uma década e o Jeff, um perfeito jovem de quase 50 anos, apresentava muito menos rugas do que hoje. Perdoem-me a fraca memória, mas o Jeff Bridges que eu conheço é o do True Grit, onde este cabelo pelos ombros à surfista (a fazer lembrar o Eddie Vedder) é substituído por madeixas rudes e brancas, presas debaixo de um chapéu empoeirado.

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“Crimson Peak”, o romance gótico de Guillermo del Toro

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Publicado na Look Mag

Tem interpretações de luxo e um guarda-roupa victoriano que deixou deslumbrados os Storytailors, Luís Sanchez e João Branco. O novo filme de Guillermo del Toro passeia-se entre o romance, o terror e o drama psicológico. “Crimson Peal – a Colina Vermelha” chega às salas de cinema a 22 de Outubro.

O enredo não é inédito mas a reinvenção de Guillermo del Toro dá-lhe contornos únicos. Em “Crimson Peak”, o típico triângulo amoroso é protagonizado pela filha de um poderoso industrial americano, a aspirante a escritora Edith Cushing (Mia Wasikowska) e os irmãos Thomas (Tom Hiddleston) e Lucille Sharpe (Jessica Chastain). Ele é um inventor a tentar explorar a única riqueza que lhe resta, as reservas de argila acumuladas sob a sua desterrada casa britânica (fria e assustadora, como convém a qualquer filme de terror); ela é a sua fiel sombra e guardadora de todos os segredos da família.

O filme tem inspiração victoriana e faz lembrar os clássicos de Hollywood entretanto cristalizados. Para Guillermo del Toro, marca o regresso dos romances góticos ao grande ecrã, de onde tinha desaparecido há 30 anos. E chega com tudo o que os espectadores podiam esperar do realizador: grande intensidade dramática, uma qualidade estética única e actores de qualidade reconhecida com desempenhos emocionantes. A coroar a imagem de “Crimson Peak” está o guarda-roupa criado por Kate Hawley, que deixou rendida a dupla de estilistas Storytailors, fãs de Guillermo del Toro desde “O Labirinto do Fauno”.

Para Luís Sanchez e João Branco, este é um filme «esteticamente avassalador e violentíssimo». E o guarda-roupa está à altura. Confessam-se arrebatados pelas criações que vestem as personagens de Mia Wasikowska e Jessica Chastain.

Em entrevista à Look Mag para comentar o filme, explicam que o guarda-roupa não retrata a época da acção (passada na alta sociedade nova-iorquina e na Inglaterra do início do século XX) mas constitui uma reinvenção desse período. «Não são apenas réplicas ou retratos dos vestidos de época, há trabalho criativo» e «liberdade interpretativa» para tratar cada figurino consoante os traços das personagens. Valorizam a herança histórica, que vêem como correcta no filme, mas no seu trabalho preferem pensar no futuro em vez de privilegiar o saudosismo.

A carga dramática do guarda-roupa é acentuada pelos materiais e cores usados por cada personagem. Os Storytailors explicam porque Edith Cushing usa sempre cores claras, como o vestido rosa pálido com que se apresenta numa das principais cenas da primeira parte do filme, por ser a «cor do amor puro», ou o amarelo, uma cor mais alegre. Ao mesmo tempo, Lucille Sharpe traja de pretos e vermelhos acetinados, símbolos da paixão. Para os criadores, estereótipos como estes «têm de ser muito bem trabalhados, senão tornam-se clichés». Quando são usados como em “Crimson Peak”, têm a «capacidade extraordinária de emocionar» os espectadores.

Os estilistas também se sentem emocionados por denotarem no trabalho de Kate Hawley e Guillermo del Toro uma paixão distintiva. Identificam-se também com aquele trabalho por terem criado, há pouco tempo, um vestido de noiva para uma cliente que iria casar num castelo antigo de França, algo semelhante à casa onde se passa o enredo.

Tecnicamente, os elogios dos criadores portugueses continuam. Desde os materiais escolhidos para os vestidos às técnicas utilizadas para a sua construção, como é feito numa das primeiras peças com que Lucille Sharpe se senta ao piano: o trabalho detalhado e a estrutura das costas do vestido e a transparência das mangas são destacados pelos Storytailors.

Os que esperam um filme de terror vão encontrar em vez disso um drama psicológico. Mas há alguns fantasmas e muito sangue. “Crimson Peak” vale pela beleza estética única e cativante, pelas personagens arrebatadoras, pelo desempenho extasiante dos actores e pela combinação narrativa entre o fantástico e a vida real. Mestria de Guillermo del Toro.

30 antes dos 30: Buffalo 66

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Buffalo 66 (1998)

Vincent Gallo é Billy Brown em Buffalo 66.

Billy tem pais disfuncionais que quer impressionar a todo o custo e um amigo que serve o único propósito de confessor do protagonista. Billy tem também um olhar quase sempre vazio de emoção, toldado pelo objectivo máximo de uma vingança que deveria culminar com mortes: a do antigo jogador de futebol americano, que lhe provocou a desgraça financeira através de aposta perdida, e também a sua. Billy é um recluso acabado de sair da prisão, que rapta Layla para pousar como sua mulher frente aos pais neuróticos que o julgam casado e bem na vida.

Christina Ricci é Layla, uma jovem roubada de repente às aulas de dança, que traja um baby doll azul bebé durante todo o filme e sapatos de sapateado a condizer. (E que tem direito a um momento inóspito e hipnotizante em que mostra os seus dotes de sapateado entre um fade in e um fade out, em jeito de intervalo a meio do enredo.)

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30 antes dos 30: Aniki Bóbó

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Aniki Bóbó (1942)

Apesar de não estar na lista, achei que não podia passar pelo melhor do cinema sem ver Manoel de Oliveira. No dia em morreu, aos 106 anos, conheci a sua primeira longa-metragem de ficção.

Aniki Bóbó (1942) é um retrato ternurento da infância passada nas margens do Douro, durante os anos da Segunda Guerra. Das histórias e aventuras de miúdos que escapavam à escola para ir ver os comboios a passar. De crianças que diziam coisas de adultos com pronúncia cerrada e vozes de pequeno. Uma estória quase clássica de boy meets girl.

“Queres brincar comigo?”

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