30 antes dos 30: A lista

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Cinema Paradiso (1988)

Em 2015, lancei a mim mesma o desafio de dar gás à minha cultura cinematográfica. A proposta era simples: ver 30 dos melhores filmes de todo o sempre antes de completar 30 anos. Além da conhecida lista de sugestões de Martin Scorsese a um jovem cineasta, que a pretensão não é tanta.

Faltam apenas dois (anos) e muitos dos filmes que entretanto, por sugestão de vários cinéfilos, somaram bem mais de 30.

Alguns já tinham sido vistos. Outros foram acrescentados por mim mesma à lista. Outros ainda não foram sugeridos mas mereciam um lugar, como o Casablanca, um dos meus preferidos de sempre.

A azul, os filmes que vi nos 26 anos antes da lista. Sobre os que, entretanto, fui vendo, ficam algumas palavras.

One Flew Over the Cuckoo’s Nest | Milos Forman | 1975
ET | Steven Spielberg | 1982
Jaws | Steven Spielberg | 1975
Close Encounters of the Third Kind | Steven Spielberg | 1977
In the Mood for Love | Wong Kar-wai | 2000 | Sobre o filme
2046 | Wong Kar-wai | 2004
Raging Bull | Martin Scorsese | 1980
After Hours | Martin Scorsese | 1985
Taxi Driver | Martin Scorsese | 1980
Million Dollar Baby | Clint Eastwood | 2004
The Bridges of Madison County | Clint Eastwood | 1995
Bird | Clint Eastwood | 1988
A Clockwork Orange| Stanley Kubrick | 1971
2001: A Space Odyssey | Stanley Kubrick | 1968
Eyes Wide Shut | Stanley Kubrick | 1999
Paths of Glory | Stanley Kubrick | 1957
The Godfather | Francis Ford Coppola | 1972, 1974, 1990
Apocalypse Now | Francis Ford Coppola | 1979
Once Upon a Time in America (C’era una Volta in America) | Sergio Leone | 1984
Once Upon a Time in the West (C’era una volta il West) | Sergio Leone | 1968
Il Buono, il Brutto, il Cattivo (The Good, the Bad and the Ugly) | Sergio Leone | 1966
The Seventh Seal | Ingmar Bergman | 1957
Douro, Fauna Fluvial | Manoel de Oliveira | 1931
Hannah and her sisters | Woody Allen | 1986
Os Sete Samurais | Akira Kurosawa | 1954
Ran (Os senhores da Guerra) | Akira Kurosawa | 1985
Kagemusha (A Sombra do Guerreiro) | Akira Kurosawa | 1980
O Império dos Sentidos | Nagisa Oshima | 1976
Viagem a Tóquio | Yasujiro Ozu | 1953
O Tambor | Volker Schlondorff | 1979
The Lost Honor of Katharina Blum | Volker Schlondorff | 1975
Das Cabinet des Dr. Caligari (O Gabinete do Dr. Caligari) | Robert Wiene | 1920
Nosferatu | Friedrich Murnau | 1922
Metropolis | Fritz Lang | 1927
Thief | Michael Mann | 1981
Kramer Vs. Kramer | Robert Benton | 1979
Jubal | Delmer Daves | 1951
The Long Goodbye | Robert Altman | 1973
Umberto D | Vittorio de Sica | 1953
Panic at Needle Park | Jerry Schatzberg | 1971
The Graduate | Mike Nichols | 1967
Third Man | Carol Reed | 1949
Faces | John Cassavetes | 1968
3 Women | Robert Altman | 1977
The Night of the Comet | Thom Eberhardt | 1984
Ride the High Country | Sam Peckinpah | 1962
Straight Story | David Lynch | 1999
The River | Mark Rydell | 1984
Shock Corridor | Samuel Fuller | 1963
The Big-Combo | Joseph H. Lewis | 1955
Picnic at Hanging Rock | Peter Weir | 1975
The Stranger | Orson Welles | 1946
Léon | Luc Besson | 1994
The Fifth Element | Luc Besson | 1997
Delicatessen | Jean-Pierre jeunet e Marc Caro | 1991
Prospero’s books | Peter Greenaway | 1991
Braindead | Peter Jackson | 1992
Lost Highway | David Lynch | 1997
Sen to Chihiro no Kamikakushi (Spirited Away) | Hayao Miyazaki | 2001
Dracula | Francis Ford Coppola | 1992
Lost in Translation | Sofia Coppola | 2003
Le fabuleux destin d’Amélie Poulain | Jean-Pierre Jeunet | 2001
Lock, Stock and Two Smoking Barrels | Guy Ritchie | 1998
Snatch | Guy Ritchie | 2000
Ronin | John Frankenheimer | 1998
The Usual Suspects | Bryan Singer | 1995
Se7en | David Fincher | 1995
Fight Club | David Fincher | 1999 | Sobre o filme
Monty Python and the Holy Grail | Terry Gilliam e Terry Jones | 1975
Life of Brian | Terry Jones | 1979
Eyes Wide Shut | Stanley Kubrick | 1999
Donnie Darko | Richard Kelly | 2001
Memento | Christopher Nolan | 2000
American History X | Tony Kaye | 1998
Into the Wild | Sean Penn | 2007
Cidade de Deus | Fernando Meirelles e Kátia Lund | 2002
Good Bye, Lenin! | Wolfgang Becker | 2003
21 grams | Alejandro González Iñárritu | 2003
Oldeuboi (Old boy) | Chan-wook Park | 2003
Hable con ella | Pedro Almodóvar | 2002
Twelve Monkeys | Terry Gilliam | 1995
Cube | Vincenzo Natali | 1997
O Verão de Kikujiro | Takeshi Kitano | 1999
Le Havre | Aki Kaurismäki | 2011
Underground | Emir Kusturica | 1995
The Shining | Stanley Kubrik | 1980
A Flor do Equinócio | Yasujiro Ozu | 1958 | Sobre o filme
Buffalo 66 | Vincent Gallo | 1998 | Sobre o filme
Amarcord | Federico Fellini | 1973
Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives and Mekong Hotel | Apichatpong Weerasethakul | 2011
A Torinói ló (O Cavalo de Turim) | Béla Tarr | 2011
Aniki-Bobó | Manoel de Oliveira | 1942 | Sobre o filme
Os Verdes Anos | Paulo Rocha | 1963
Belarmino | Fernando Lopes | 1964
A Caixa | Manoel de Oliveira | 1994
Vou para casa | Manoel de Oliveira | 2001
Esquece tudo o que te disse | António Ferreira | 2002
Alice | Marco Martins | 2005
Aquele Querido Mês de Agosto | Miguel Gomes | 2008
O Barão | Edgar Pera | 2010
Tabu | Miguel Gomes | 2012
A Gaiola Dourada | Ruben Alves | 2013
Ultimo Tango a Parigi (Last Tango in Paris) | Bernardo Bertolucci | 1972 | Sobre o filme
Mullholland Drive | David Lynch | 2001
Marie Antoinette | Sofia Coppola | 2006
Brutti, Sporchi e Cattivi (Feios, Porcos e Maus) | Ettore Scola | 1976
Amadeus | Milos Forman | 1984
Citizen Kane | Orson Wells | 1941
Metropolis | Fritz Lang | 1927
Gone with the Wind | Victor Fleming | 1939
Mar Adentro | Alejandro Amenábar | 2004
Princess Mononoke | Hayao Miyazaki | 1997
Django Unchained | Quentin Tarantino | 2012
Inglorious Bastards | Quentin Tarantino | 2009
Reservoir Dogs | Quentin Tarantino | 1992
Death Proof | Quentin Tarantino | 2007
Pulp Fiction | Quentin Tarantino | 1994
Volver | Pedro Almodóvar | 2006
Los Amantes Pasajeros | Pedro Almodóvar | 2013
No Country for Old Men | Joel e Ethan Coen | 2007
A Serious Man | Joel e Ethan Coen | 2009
The Big Lebowski | Joel e Ethan Coen | 1998 | Sobre o filme
Burn After Reading | Joel e Ethan Coen | 2008
Paris, je t’Aime | Gus Van Sant e outros | 2006
Antichrist | Lars von Trier | 2009
Nymphomaniac | Lars von Trier | 2014
Melancholia | Lars von Trier | 2011
The Darjeeling Limited | Wes Anderson | 2007
Moonrise Kingdom | Wes Anderson | 2012
The Royal Tenenbaums | Wes Anderson | 2001
The Grand Budapest Hotel | Wes Anderson | 2014
American Beauty | Sam Mendes | 1999
Vertigo | Alfred Hitchcock | 1958
The Eternal Sunshine of the Spotless Mind | Michel Gondry | 2004 | Sobre o filme
25th Hour | Spike Lee | 2002
Interstellar | Christopher Nolan | 2014
Prometheus | Ridley Scott | 2012
High Fidelity | Stephen Frears | 2000
Man on the Moon | Milos Forman | 1999 | Sobre o filme
La vie d’Adèle | Abdellatif Kechiche | 2013
Cinema Paradiso | Giuseppe Tornatore | 1988 | Sobre o filme

Sugestões?

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30 antes dos 30: Man on the Moon

Jim Carrey e Milos Forman, man on the Moon (1999)

Andy [Jim Carrey]: You don’t know the real me.
Lynne [Courtney Love]: There isn’t a real you.
Andy [Jim Carrey]: Oh yeah. I forgot.

Jim Carrey é Andy Kaufman em Man on the Moon. Jim Carrey lutou pelo papel daquele que foi o seu ídolo. No documentário Jim & Andy: The Great Beyond (2017), para a Netflix, o actor explica que, ao receber a notícia, o próprio Andy Kaufman regressou para fazer o filme sobre a sua vida.

A homenagem acabou por ser um caminho quase sem retorno. Jim Carrey perdeu-se na personagem e é isso mesmo que conta no documentário da Netflix . Desligadas as câmaras, longe dos holofotes, Jim Carrey continuou a ser Andy Kaufman. E terminado o filme, restou a pergunta: quem é Jim Carrey?

Voltemos por agora ao filme. Já tinha visto Man on the Moon, mas há muitos anos, numa altura sem a lista (30 antes dos 30) e sem a consciência para perceber quem foi Andy Kaufman. Estranho que a única imagem que retive do filme, quando o vi em 1999, foi a da morte do actor. A personagem surgia sem cabelo, junto de um curandeiro, com a esperança da cura estampada no rosto.

Revisto o filme percebo agora que há muito mais na vida de Andy Kaufman que vale a pena reter. Mas o princípio por detrás dos momentos apresentados em Man on the Moon não deixam de projectar um princípio comum. Seria realidade? Ou seria mais uma das ilusões engendradas pelo comediante americano? Afinal, Andy Kaufman foi o grande ilusionista do seu público, o mestre que preferiu confundir o público enquanto o entretenimento fácil direccionava (e continua a fazê-lo) para a pacatez de uma solução simples. Os filmes (como os livros e as peças de teatro) têm, no geral, um final feliz. (E os que não têm deixam aquela estranheza da indefinição.)

Man on the Moon mostra um Andy Kaufman que prefere que seja a dúvida a acompanhar o seu público no regresso a casa (ou à realidade). O filme de Milos Forman cria a rotina da percepção. Aprendemos os truques de Andy Kaufman, ajudado por figuras que o rodeavam. Figuras como Bob Zmuda (interpretado por Paul Giamatti, que alternava com o protagonista a interpretação da personagem cómica (do obnoxious) Tony Clifton, que Kaufman criara. Figuras como o wrestler Jerry Lawler, que teria uma pretensa disputa física (mesmo violenta) com o comediante, embora tenha vindo a público, anos após a morte de Kaufman, que era tudo era encenado entre os dois. Figuras como a própria Lynne Margulies, que participa num dos desafios em que Kaufman luta com mulheres e acaba por tornar-se sua esposa e participar nas suas ilusões.

Sim, aprendemos a rotina do engano. Mas damos por nós a ser surpreendidos na própria ilusão. O espectáculo de Natal no Carnegie Hall (onde o público foi levado para comer bolachas e beber leite) terá sido uma tentativa genuína de criar um momento de felicidade na audiência? E (como uma boa teoria da conspiração) a morte de Andy Kaufman com cancro de pulmão, aos 35 anos, ele que não era supostamente um fumador habitual… Terá ou não sido mais uma das suas ilusões? Em 2014, Bob Zmuda jurou que ajudou Andy Kaufman a fingir a própria morte.

Milos Forman não dá respostas. Antes, levanta muitas perguntas ao contar a história de Andy Kaufman, os porquês da sua personalidade disruptiva, os meandros de uma mente que talvez nem os mais próximos conheciam.

Mas Jim Carrey parece conhecer. Quem é Jim Carrey? Quem é Jim Carrey como Andy Kaufman?

O documentário da Netflix mostra os bastidores da filmagem de Man on the Moon, quase vinte anos depois. Mostra um actor absolutamente dedicado à personagem. Mais: Jim Carrey atribui a uma intervenção do próprio Andy Kaufman o seu comportamento durante a filmagem. O actor não despia a personagem, nem se separava das personagens criadas por Kaufman. A esquizofrenia era real. Mas, terminados os trabalhos, Jim Carrey teve dificuldades em reencontrar-se, até porque a sua carreira como actor era muito próxima do estilo de representação de Andy Kaufman. Onde começava Carrey? Onde terminava Kaufman?

There isn’t a real you.
Oh yeah. I forgot.

Já falei disto quando escrevi sobre outro filme da lista, Eternal Sunshine of the Spotless Mind, também protagonizado por Jim Carrey. Falarei mais um pouco quando escrever sobre The Truman Show. Diga-se, para já, que estes três filmes levantam muitas das perguntas que Jim Carrey tem vindo a fazer publicamente. Em tradução livre:

O que sobra de nós quando somos esquecidos?
Quem somos e quem podemos ser ao olhar do outro?

Man on the Moon (1999). Milos Forman

30 antes dos 30: Eternal Sunshine of the Spotless Mind

Eternal_Sunshine_of_the_spotless_mind

Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004)

How happy is the blameless vestal’s lot!
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray’r accepted, and each wish resign’d;
Labour and rest, that equal periods keep;
“Obedient slumbers that can wake and weep;”
Desires compos’d, affections ever ev’n,
Tears that delight, and sighs that waft to Heav’n.

in “Eloisa to Abelard”, Alexander Pope

Tirado do poema de Alexander Pope, Eternal Sunshine of the Spotless Mind é um título propenso a reflexão prolongada. Ou, pelo menos, a minha.

Não pensei no título e no seu significado – agora – tão directo. Nem sempre que fui ouvindo falar deste filme, nem quando o coloquei na lista dos 30 antes dos 30.

A verdade é que o título – o verso – diz tudo o que há para dizer sobre esta história. Como também o fazem outras expressões, que vamos tirando do bolso ocasionalmente para fazer avançar uma conversa.

Ignorance is bliss.

Longe da vista, longe do coração.

A premissa deste filme não vai além disso. É uma metáfora imaginada como se de realidade se tratasse. A beleza está, contudo, na forma como explora as consequências dessa metáfora. É que será sempre mais fácil desejar apagar alguém da história. Rostos, conversas, lugares.

Montauk.

Mas as memórias aconteceram. E merecem ser celebradas. As boas, as más. Por muito que desejem ser esquecidas, estão impressas nessa história que se altera fundamentalmente porque encontra personagens, porque vive momentos, porque avança com o passar de cada dia partilhado com aqueles que convidamos a protagonizá-la. E o próprio tempo acaba por enaltecer os pormenores bons e embaciar as memórias menos bonitas. Por isso, deixemos à ordem natural das coisas o processo de digestão dos capítulos passados.

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Joel (Jim Carrey) e Clem (Kate Winslet) são duas personagens à deriva pela vida. Desencantados um com o outro e com o aborrecimento que parece assumir-se como inevitável em dado momento da relação, decidem aderir ao que parece ser tendência do momento: um tratamento inovador perpetrado por um médico suspeito e um sujeito estranho apaga da memória quem se deseja esquecer. Basta juntar artefactos que façam recordar o esquecido em causa, dirigir bilhetes aos conhecidos para que não toquem no nome proibido e, após uma boa noite de sono, é como se nada tivesse acontecido.

A ironia é dupla. Primeiro, por materializar esse tal desejo impensado de esquecer quem já não está na fotografia. Depois, porque dedicamos tanto esforço e meios a lutar contra todas as formas de esquecimento, essas sim, inevitáveis.

Arrumado o esquecimento, passe-se ao romantismo. Eu – firme apologista de que o que tem de ser, tem muita força – não me convenci com este encontro pós-oblivion. Se o filme é indie o suficiente para dar tantas cores ao cabelo da Kate Winslet, então que pudesse também assumir plenamente a tristeza de um final infeliz. Que a vida tem destas coisas.

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Kate Winslet faz um papel que foge ao seu habitat natural. Assenta-lhe bem. Mas é Jim Carrey quem mais brilha neste filme. É soberbo nas comédias mas o registo psicológico/dramático engrandece-o como actor. Está na lista um dos filmes que mais curiosidade me tem merecido e é por causa de Jim Carrey: Man on the Moon. Vi-o há muitos anos, numa altura em que nem tinha consciência do que significava tudo aquilo. Quero revê-lo agora e acompanhá-lo do documentário da Netflix sobre o comportamento do actor durante aquelas filmagens.

Li, há dias, uma entrevista em que Jim Carrey dizia ter desaparecido na personagem de Andy Kaufman e concluía que, por sermos apenas ideias, é possível desaparecer verdadeiramente. Faz sentido. Perguntaria ao Jim se desaparecemos de nós mesmos ou se nos esquecemos de quem somos. Se se esquecerem de nós – de forma intencional ou acidental -, aí sim, corremos o risco de desaparecer definitivamente.

I see someone who thought they were a person, who was trying to create characters but… How can I put it? Playing Andy Kaufman in Man on the Moon in 1999, for example, I realized that I could lose myself in a character. I could live in a character. It was a choice. And when I finished with that, I took a month to remember who I was. “What do I believe? What are my politics? What do I like and dislike?” It took me a while and I was depressed going back into my concerns and my politics. But there was a shift that had already happened. And the shift was, “Wait a second. If I can put Jim Carrey aside for four months, who is Jim Carrey? Who the hell is that?”

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Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004). Michel Gondry

 

Oprah: “Speaking your truth is the most powerful tool we all have”

75th Annual Golden Globe Awards - Press Room, Beverly Hills, USA - 07 Jan 2018

© Jordan Strauss/Invision/AP/REX/S @ Variety

In 1964, I was a little girl sitting on the linoleum floor of my mother’s house in Milwaukee watching Anne Bancroft present the Oscar for best actor at the 36th Academy Awards. She opened the envelope and said five words that literally made history: “The winner is Sidney Poitier.” Up to the stage came the most elegant man I had ever seen. I remember his tie was white, and of course his skin was black, and I had never seen a black man being celebrated like that. I tried many, many times to explain what a moment like that means to a little girl, a kid watching from the cheap seats as my mom came through the door bone tired from cleaning other people’s houses. But all I can do is quote and say that the explanation in Sidney’s performance in “Lilies of the Field”: “Amen, amen, amen, amen.”

In 1982, Sidney received the Cecil B. DeMille award right here at the Golden Globes and it is not lost on me that at this moment, there are some little girls watching as I become the first black woman to be given this same award. It is an honor — it is an honor and it is a privilege to share the evening with all of them and also with the incredible men and women who have inspired me, who challenged me, who sustained me and made my journey to this stage possible. Dennis Swanson who took a chance on me for “A.M. Chicago.” Quincy Jones who saw me on that show and said to Steven Spielberg, “Yes, she is Sophia in ‘The Color Purple.'” Gayle who has been the definition of what a friend is, and Stedman who has been my rock — just a few to name.

I want to thank the Hollywood Foreign Press Association because we all know the press is under siege these days. We also know it’s the insatiable dedication to uncovering the absolute truth that keeps us from turning a blind eye to corruption and to injustice. To tyrants and victims, and secrets and lies. I want to say that I value the press more than ever before as we try to navigate these complicated times, which brings me to this: what I know for sure is that speaking your truth is the most powerful tool we all have. And I’m especially proud and inspired by all the women who have felt strong enough and empowered enough to speak up and share their personal stories. Each of us in this room are celebrated because of the stories that we tell, and this year we became the story.

But it’s not just a story affecting the entertainment industry. It’s one that transcends any culture, geography, race, religion, politics, or workplace. So I want tonight to express gratitude to all the women who have endured years of abuse and assault because they, like my mother, had children to feed and bills to pay and dreams to pursue. They’re the women whose names we’ll never know. They are domestic workers and farm workers. They are working in factories and they work in restaurants and they’re in academia, engineering, medicine, and science. They’re part of the world of tech and politics and business. They’re our athletes in the Olympics and they’re our soldiers in the military.

And there’s someone else, Recy Taylor, a name I know and I think you should know, too. In 1944, Recy Taylor was a young wife and mother walking home from a church service she’d attended in Abbeville, Alabama, when she was abducted by six armed white men, raped, and left blindfolded by the side of the road coming home from church. They threatened to kill her if she ever told anyone, but her story was reported to the NAACP where a young worker by the name of Rosa Parks became the lead investigator on her case and together they sought justice. But justice wasn’t an option in the era of Jim Crow. The men who tried to destroy her were never persecuted. Recy Taylor died ten days ago, just shy of her 98th birthday. She lived as we all have lived, too many years in a culture broken by brutally powerful men. For too long, women have not been heard or believed if they dare speak the truth to the power of those men.


But their time is up.

Their time is up.

Their time is up. And I just hope — I just hope that Recy Taylor died knowing that her truth, like the truth of so many other women who were tormented in those years, and even now tormented, goes marching on. It was somewhere in Rosa Parks’ heart almost 11 years later, when she made the decision to stay seated on that bus in Montgomery, and it’s here with every woman who chooses to say, “Me too.” And every man — every man who chooses to listen.

In my career, what I’ve always tried my best to do, whether on television or through film, is to say something about how men and women really behave. To say how we experience shame, how we love and how we rage, how we fail, how we retreat, persevere and how we overcome. I’ve interviewed and portrayed people who’ve withstood some of the ugliest things life can throw at you, but the one quality all of them seem to share is an ability to maintain hope for a brighter morning, even during our darkest nights.

So I want all the girls watching here, now, to know that a new day is on the horizon! And when that new day finally dawns, it will be because of a lot of magnificent women, many of whom are right here in this room tonight, and some pretty phenomenal men, fighting hard to make sure that they become the leaders who take us to the time when nobody ever has to say “Me too” again.

 

Oprah’s Cecil B. de Mille Award acceptance speech at the 2018 Golden Globes