30 antes dos 30: One Flew Over the Cuckoo’s Nest

One Flew Over the Cuckoo’s Nest (1975)

Quase tudo parece ter acontecido por acaso em One Flew Over the Cuckoo’s Nest. Se foi o acaso que deu origem a este filme, então o tiro foi certeiro: viria a ganhar Óscares nas cinco grandes categorias e ficaria para a história do cinema como um dos melhores filmes de sempre.

O epíteto parece ambicioso para um enredo tão simples. R.P. McMurphy (Jack Nicholson) convence a Justiça de que é doente mental para escapar a uma pena mais pesada e vai parar a um hospital psiquiátrico. Numa metáfora muito transparente para o mundo moderno, encontra uma enfermeira tirana que controla os pacientes, aproveitando as fragilidades mentais para manter a disciplina. McMurphy perturba a ordem instalada e convence o grupo a revoltar-se contra a enfermeira. Continue reading

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30 antes dos 30: Alice

Alice (2005)

São poucos os filmes portugueses na lista e os que lá estão são, sobretudo, clássicos antigos (Manoel de Oliveira, Paulo Rocha, Fernando Lopes). Mas depois há Marco Martins e o seu “Alice”, filme de 2005 que surpreendeu tudo e todos.

Marco Martins era um jovem realizador, mas, 14 anos depois da estreia de “Alice”, isso pouco conta. Agora já tem obra feita para mostrar que o sucesso daquela sua primeira longa-metragem não foi fruto do acaso. “Alice”, contudo, não tem nada de jovem, se, por jovem, falarmos de uma visão que ainda não amadureceu, a que falta qualquer coisa. Continue reading

30 antes dos 30: Eyes Wide Shut

Eyes Wide Shut, último filme de Stanley Kubrick

Tom Cruise e Nicole Kidman são um dos casais mais mediáticos do momento. Estamos em 1999, quando estreia Eyes Wide Shut, envolto em grande curiosidade. Em parte, o projeto já levava 30 anos de planos e preparação nas mãos do lendário Stanley Kubrick. Por outro lado, a imprensa cor-de-rosa especulava, há meses, sobre a relação dos protagonistas do filme.

A expectativa rendeu a Eyes Wide Shut um sucesso inicial, que o tempo parece querer ignorar. Êxito nas bilheteiras ou não, a verdade é que o filme está longe de ser uma obra-prima. A pergunta que importa fazer é: seria possível chegar lá? Continue reading

30 antes dos 30: Sen to Chihiro no Kamikakushi

Chihiro e Haku, personagens de Spirited Away

Está entre os melhores filmes de animação de sempre e tem o recorde de bilheteira aquando da sua estreia no Japão: Sen to Chihiro no Kamikakushi, de 2001, é possivelmente a obra-prima de Hayao Miyazaki.

Tudo começou quando Miyazaki se apercebeu de uma falta de histórias com personagens femininas fortes, feitas para os mais novos. Inspirado por meninas amigas da família, apercebeu-se de que os temas de revistas japonesas de manga iam pouco além de histórias românticas. Daí nasceu Chihiro, a heroína de 10 anos que se vê forçada a mudar de cidade por vontade dos pais, deixando para trás os amigos. A família vai parar a um mundo espiritual quando entra num parque de diversões aparentemente abandonado. Os pais da menina são transformados em porcos. Chihiro escapa a semelhante sorte porque encontra Haku, que a aconselha a procurar trabalho, um trabalho que escraviza praticamente todos os habitantes daquele universo paralelo. A missão de Chihiro é libertar os pais do jugo de Yubaba, a feiticeira-avó que rege aquele mundo. Continue reading

30 antes dos 30: Bram Stoker’s Dracula

Gary Oldman em Bram Stoker’s Dracula, de Francis Ford Coppola

Em 1992, num momento de impasse pessoal na indústria, Francis Ford Coppola arrisca na repetição de Dracula. “Mais um versão?”, poderiam ter-lhe perguntado. Socorrendo-se de um elenco de luxo e do cuidado extremo em cada pormenor, Coppola entrega não uma versão mas a sua própria interpretação do vampiro. Por isso, dá-lhe o nome do criador e transforma Bram Stoker’s Dracula numa homenagem simultânea à história e ao cinema. Afinal, não é assim que se fazem os clássicos?


A resposta afirmativa à pergunta está tão simplesmente nas escolhas e no método de Francis Ford Coppola. A preparação do filme começa com um storyboard animado distribuído por toda a equipa para que a sua visão transitasse, com precisão, da sua mente para a realidade. Impregnado dessa visão, o filme ganha forma com o que foi um dos segredos do seu sucesso – o guarda-roupa. Continue reading