30 antes dos 30: Dazed and Confused

Dazed and Confused (1993)

Um Pontiac amarelo rompe ao som de “Sweet Emotion”. Dois clássicos fazem a cena de abertura de Dazed and Confused. O carro é de 1970, a faixa é dos Aerosmith. Está lançado o tom do filme que deu nome a Richard Linklater, em 1993.

Dazed and Confused bebe do entusiasmo juvenil dos muitos actores que se estrearam com esta oportunidade. Absorve essa energia e retrata-a. Inspira-se na urgência do mundo teen e traduz aquela pressa de viver. Continue reading

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30 antes dos 30: Taxi Driver

Robert De Niro como Travis Bickle, Taxi Driver (1976)

Circula por aí uma lista de 39 recomendações de Martin Scorsese a um jovem cineasta que queria preencher as lacunas da sua formação. Que filmes lhe faltava ver?

A pergunta também me ocorreu. Quais os clássicos indispensáveis a quem está prestes a atingir uns respeitáveis 30 anos? À falta de Scorsese, traçou-se uma lista com as recomendações dos apreciadores de cinema mais à mão. “30 antes dos 30” é o mote (embora já sejam muito mais as recomendações na calha).

Scorsese não é só o ponto de partida deste desafio, mas também um dos nomes mais sugeridos. E nada mais justo que começar pelo filme que deu ao cinema uma das suas frases mais conhecidas. “Are you talking to me”, pergunta-nos Robert De Niro – a improvisar – na pele de Travis Bickle, um veterano do Vietname de olhar inflamado. Porque as memórias de guerra não o deixam dormir, percorre as ruas da Nova Iorque dos anos 1970 a planear como irá, um dia, limpar a cidade. A partir do seu táxi, Travis vai condenando a sujidade das ruas, a podridão dos vícios, o lado negro da condição humana. E espera pela chuva que, acredita, vai purgar as ruas. Continue reading

“I Am Part of the Resistance Inside the Trump Administration”

Para memória futura, aqui fica o artigo de opinião anónimo que um membro da administração Trump publicou no The New York Times, a 5 de setembro de 2018.

Com um excelente título e mote, vale a pena ter em conta a explicação do jornal sobre a publicação sem a identificação do autor:

The Times today is taking the rare step of publishing an anonymous Op-Ed essay. We have done so at the request of the author, a senior official in the Trump administration whose identity is known to us and whose job would be jeopardized by its disclosure. We believe publishing this essay anonymously is the only way to deliver an important perspective to our readers.”

“The dilemma — which he does not fully grasp — is that many of the senior officials in his own administration are working diligently from within to frustrate parts of his agenda and his worst inclinations. I would know. I am one of them.”

“The root of the problem is the president’s amorality. Anyone who works with him knows he is not moored to any discernible first principles that guide his decision making.”

“Take foreign policy: In public and in private, President Trump shows a preference for autocrats and dictators, such as President Vladimir Putin of Russia and North Korea’s leader, Kim Jong-un, and displays little genuine appreciation for the ties that bind us to allied, like-minded nations.

Astute observers have noted, though, that the rest of the administration is operating on another track, one where countries like Russia are called out for meddling and punished accordingly, and where allies around the world are engaged as peers rather than ridiculed as rivals.

On Russia, for instance, the president was reluctant to expel so many of Mr. Putin’s spies as punishment for the poisoning of a former Russian spy in Britain. He complained for weeks about senior staff members letting him get boxed into further confrontation with Russia, and he expressed frustration that the United States continued to impose sanctions on the country for its malign behavior. But his national security team knew better — such actions had to be taken, to hold Moscow accountable.

This isn’t the work of the so-called deep state. It’s the work of the steady state.”

“There is a quiet resistance within the administration of people choosing to put country first. But the real difference will be made by everyday citizens rising above politics, reaching across the aisle and resolving to shed the labels in favor of a single one: Americans.”

E por falar em heróis, acrescento o telefonema de Bob Woodward com o Presidente dos EUA, sobre o livro que será publicado na próxima semana. Um telefonema que mostra como a equipa de Trump corre atrás das consequências de uma má decisão na gestão da reputação da Administração.

30 antes dos 30: A lista

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Cinema Paradiso (1988)

Em 2015, lancei a mim mesma o desafio de dar gás à minha cultura cinematográfica. A proposta era simples: ver 30 dos melhores filmes de todo o sempre antes de completar 30 anos. Além da conhecida lista de sugestões de Martin Scorsese a um jovem cineasta, que a pretensão não é tanta.

Faltam apenas dois (anos) e muitos dos filmes que entretanto, por sugestão de vários cinéfilos, somaram bem mais de 30.

Alguns já tinham sido vistos. Outros foram acrescentados por mim mesma à lista. Outros ainda não foram sugeridos mas mereciam um lugar, como o Casablanca, um dos meus preferidos de sempre.

A azul, os filmes que vi nos 26 anos antes da lista. Sobre os que, entretanto, fui vendo, ficam algumas palavras.

One Flew Over the Cuckoo’s Nest | Milos Forman | 1975
ET | Steven Spielberg | 1982
Jaws | Steven Spielberg | 1975
Close Encounters of the Third Kind | Steven Spielberg | 1977
In the Mood for Love | Wong Kar-wai | 2000 | Sobre o filme
2046 | Wong Kar-wai | 2004
Raging Bull | Martin Scorsese | 1980
After Hours | Martin Scorsese | 1985
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30 antes dos 30: Man on the Moon

Jim Carrey e Milos Forman, Man on the Moon (1999)

Andy [Jim Carrey]: You don’t know the real me.
Lynne [Courtney Love]: There isn’t a real you.
Andy [Jim Carrey]: Oh yeah. I forgot.

Jim Carrey é Andy Kaufman em Man on the Moon. Jim Carrey lutou pelo papel daquele que foi o seu ídolo. No documentário Jim & Andy: The Great Beyond (2017), para a Netflix, o actor explica que, ao receber a notícia, o próprio Andy Kaufman regressou para fazer o filme sobre a sua vida.

A homenagem acabou por ser um caminho quase sem retorno. Jim Carrey perdeu-se na personagem e é isso mesmo que conta no documentário da Netflix . Desligadas as câmaras, longe dos holofotes, Jim Carrey continuou a ser Andy Kaufman. E terminado o filme, restou a pergunta: quem é Jim Carrey?

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