30 antes dos 30: 2001: A Space Odyssey

2001: A Space Odyssey. Stanley Kubrick (1968)

This is Major Tom to Ground Control
I’m stepping through the door
And I’m floating in a most peculiar way
And the stars look very different today

Roger Ebert disse que 2001: A Space Odyssey lhe provocou arrepios e que nenhum crítico de cinema deveria alguma vez proferir afirmação tão pirosa. A obra prima de Stanley Kubrick prestou-se a inúmeras leituras e, ainda hoje, o seu significado é uma incógnita para os que não deixam de fazer perguntas. Entre as poucas certezas, uma resistiu a estes 51 anos: foi aqui que se fundou a era moderna da ficção científica no cinema. Foi aqui que o espectador passou a sonhar com o que está para lá do visível e com o que é possível nessa grande odisseia das viagens espaciais. Conseguir fazê-lo no ano de 1968 é mais do que suficiente para provocar arrepios. Continue reading

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“Thank you, Leonard Cohen, for saving my life”

A lista dos 30 antes dos 30 deu-me a conhecer uma mão cheia de filmes incríveis, que, até agora, me tinham passado ao lado. E deixou-me espreitar pelo buraco da fechadura desse mundo imenso que é o do cinema. Pelo caminho, tenho conhecido histórias impressionantes e personagens fantásticas.

Roger Ebert não é das histórias nem foi personagem. Foi um dos críticos de cinema mais profícuos. Há tempos, quando li a sua crítica ao segundo volume de Kill Bill, identifiquei-me totalmente com o que escreveu e surpreendi-me por ser dos poucos críticos que corrigem uma posição anterior.

Agora, a pesquisar sobre 2001: A Space Odyssey, ouvi-o dizer que foi um filme que lhe provocou arrepios na espinha, uma coisa tão pirosa que não devia ser dita por nenhum crítico.

Acabei por ir parar à sua TED Talk de 2011. Através da voz criada pela Apple e da ajuda da sua mulher e dois amigos, o crítico americano conta como perdeu a voz na sequência de um cancro que o obrigou a várias cirurgias. Perdeu a mandíbula e a possibilidade de falar, mas não perdeu o sentido de humor.

E foi graças a uma música – muito longa – de Leonard Cohen que os médicos conseguiram salvá-lo do primeiro imprevisto.

 

30 antes dos 30: Natural Born Killers

Natural Born Killers. Oliver Stone (1994)

And now the wheels of heaven stop
You feel the devil’s riding crop
Get ready for the future
It is murder.

Há demónios à solta em Natural Born Killers (1994). Há demónios à solta e vivem dentro de Mickey e Mallory Knox, um casal amoroso e assustador de dois serial killers que o destino juntou numa viagem com mais de 50 vítimas. A culpa é das suas famílias abusivas, de terem crescido com os olhos colados à televisão viciante, de terem bebido da sede de mediatismo colectiva. A culpa é da sociedade doente que os produziu e cuspiu e esta é uma das premissa fortes do filme. Estamos nos anos 1990 e Oliver Stone, realizador, deixa o aviso: esta era está perto do fim. Só que esse fim não chega e o caminho que o realizador ladrilhou para lá chegarmos (“o amor será a salvação”) é demasiado ingénuo para esta história, que faz agora 25 anos. Continue reading