30 antes dos 30: Hannah and Her Sisters

Hannah and Her Sisters (1986)

Hannah and Her Sisters (1986) é o clássico filme de Woody Allen, onde a complexidade das relações humanas tem um peso esmagador sobre a experiência da vida. É clássico porque o realizador fez desta premissa a sua fórmula vencedora e a repetiu até à exaustão. Continue reading

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30 antes dos 30: Snatch

Snatch. Guy Ritchie (2000)

Como se Guy Ritchie tivesse criado o seu universo temático, Snatch (2000) é a versão melhorada de Lock, Stock and Two Smoking Barrels (1998). Uma segunda oportunidade para o realizador alcançar o filme que realmente queria fazer e, através dele, o reconhecimento que ambicionava. A verdade é que a cópia superou o original e cunhou a visão de Ritchie como um realizador de cadência rápida e humor certeiro. Continue reading

30 antes dos 30: Reservoir Dogs

Reservoir Dogs, de Quentin Tarantino

Reservoir Dogs (1992) nasceu para ser um filme sobre um assalto. Era intenção de Quentin Tarantino alcançar um clássico dentro do género. A romper com o cinema indie americano em que se destacou, o argumentista e realizador foi além da pretensão inicial – mais do que resgatar um género, criou uma escola a partir de uma visão muito própria. E faltavam dois anos para surgir Pulp Fiction, aquela que muitos dizem ser a sua melhor obra. Continue reading

Purl, um cliché cor-de-rosa num mundo de homens

Purl, Pixar

Purl é a nova curta da Pixar, que decidiu agarrar uma ideia que surgiu num programa interno, sobre um tema bem actual: a desigualdade entre géneros no mundo laboral.

A autora, Kristen Lester, inspirou-se na sua própria experiência para contar a história de Purl, um novelo de lã cor-de-rosa que chega a uma empresa onde todos os colegas são homens (brancos) vestidos com pesados fatos escuros. Para integrar-se na equipa, Purl tricota um fato cinzento e mimetiza os comportamentos da equipa. Ganha o respeito de todos, até ao dia em que um novelo de lã amarela chega ao escritório e Purl retoma a sua personalidade.

A curta foi lançada no YouTube, onde a maioria dos comentários é de utilizadores chocados pelo facto de a Pixar ter deixado passar algum calão (“they can kiss our ass”). O texto é bom e as piadas linguísticas passam bem. Mas as perguntas por aqui são outras.

Por que é que o género feminino é representado por novelos de lã, de ar fofo e sensível (e difíceis de deslindar), num escritório onde os homens são humanos, não bonecos?

Por que é que Purl muda de atitude e visual para tentar integrar-se num mundo de homens?

Esta curta não é propriamente para crianças, por isso, não há grande preocupação com a moral a retirar da história. Mas surpreende a moral que lhe deu origem. Não terá sido intencional, talvez. Certo é que a personagem feminina desta história é um cliché cor-de-rosa num ambiente de homens poderosos, que a acusam de ser demasiado soft. Cliché atrás de cliché.

It’s a rich man’s world.