30 antes dos 30: Último Tango em Paris

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Ultimo Tango a Parigi (1972)

Vi-o há alguns meses, mas não escrevi sobre ele, como tenho feito para contar o avanço na lista dos 30 antes dos 30. Controverso, estranho, repulsivo, esperei que me agradasse mais como grande obra do cinema do século XX com o passar de algum tempo. Não aconteceu e agora, que se reacende a polémica em torno da sua filmagem, recupero a opinião imediata que o Último Tango em Paris me deixou e tento traduzi-la em palavras.

Controverso. A polémica cena de sexo anal terá sido talvez o catalizador de uma grande parte da fama deste filme. Não querendo tirar-lhe mérito a Bertolucci, mas já nesses idos anos 70 se sabia que o sexo vende. Vendeu. Vendeu tanto que se formavam filas às portas dos cinemas e os regimes ditatoriais proibiam a exibição da obra. (E quão significativo é que tenha sido trazido para Portugal cinco depois do 25 de Abril?) Vendeu mas não convenceu, porque há mais neste filme além desse momento.

Estranho. É suposto gostar-se das grandes obras do cinema, não é verdade? Debati-me, por isso, com a estranheza do Último Tango. Tentar ler as personagens de Marlon Brando e Maria Schneider, compreendê-las e afeiçoar-me a elas foram tarefas persistentemente combatidas pela atmosfera do próprio filme. Apartamentos quase abandonados de Paris. Uma história que se desenvolvia entre as sombras de cenas escuras e nocturnas. O tom sugestivo da música de Gato Barbieri. O cunho vintage dos seventies nas roupas de Schneider, que hoje parecem mais conjugações inapropriadas a distrair-nos do essencial. O ar quase decadente do actor de quem sempre se ouviu falar como um galã de Hollywood. A quase total ausência de diálogos capazes de sustentar o magnetismo entre as duas personagens.

Repulsivo. O Último Tango em Paris repele enquanto atrai. Envolve enquanto afasta. Coloca-nos a espreitar pelo buraco da fechadura, para dentro dos cantos mais escuros da manifestação humana, onde reina o caos interior.

E agora que o shuffle me leva de Barbieri para “Moon River”, de Mancini, percebo bem o momento de choque histórico que o Último Tango terá sido, naquele ano de 1972. Pouco mais de uma década tinha passado desde que Audrey Hepburn se tornara Holly Golightly em Breakfast at Tiffany’s e o cinema não tinha visto nada como o que Bertolucci acabara de mostrar.

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Ultimo Tango a Parigi (1972). Bernardo Bertolucci

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