Expresso 2:59

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A propósito da nova rubrica do Expresso Online, 2:59:

A ideia é excelente e acrescenta muito ao site do Expresso. Está um passo à frente dos Explicadores do Observador e parece que o público está a gostar. Cheira-me que 80% do sucesso está no facto de serem vídeos e nos efeitos sonoros e gráficos bonitinhos. O factor novidade também ajuda.

O fundo escuro dos vídeos torna a coisa um bocado sombria. As explicações podiam ser mais naturais, mas a naturalidade perde-se na tentativa de coordenar os gestos com os grafismos que vão ser colocados na edição. O que não acontece, por exemplo, no Vox.

O Vox, do Ezra Klein, é um dos projectos mais interessantes que surgiram no jornalismo recente. Um dos trabalhos mais giros que o Vox fez foi uma longa entrevista com o presidente dos Estados Unidos (com duas partes e uma série de vídeos). Os grafismos são surpreendentes e a forma como estão inseridos na edição, a coincidir com a naturalidade dos movimentos de Barack Obama, acrescenta sofisticação ao vídeo.

Na onda dos explicadores e do jornalismo de dados, o Vox também merece atenção.

O Expresso Online tem feito um esforço notório para usar ferramentas novas e modernas. A utilização das redes sociais (apesar de ser um pouco tosca, ou sou eu que não atino com o Snapchat) é meritória. O site é actualizado ao minuto e dá gosto ler alguns títulos de reportagens. Ainda há muito a fazer, mas o 2:59 parece ser já um sucesso. Que venham mais projectos como este (que, infelizmente, não disponibiliza os vídeos no YouTube).

Fica o link.

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¿Estudio periodismo?

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Quando há uns anos descobri que a Forbes ia ser lançada em Espanha e comprei o primeiro número, percebi que ainda é possível fazer bom jornalismo com um espírito actual, atento e crítico, que não tem de ser sério e aborrecido para ser credível.

O Andrés Rodríguez, editor e director da Forbes espanhola, escreveu o primeiro editorial. Explicava por que aquele mês de Março de 2013 era a altura ideal para lançar o título no mercado espanhol. E por que a Spainmedia (“fundada hace siete años para dar rienda suelta a mis sueños de editor”) era a casa perfeita para receber a Forbes, pela linguagem das revistas que já alojava, em parte.

“Ésta es una revista para todos”, dizia. “Pero especialmente para los curiosos y los aventureros, los soñadores, los que se juegan su futuro a una idea y, aunque tropiecen, se levantan y piensan por qué se cayeron”. A fechar: “Para gente como tú y como yo.”

Hoje dei de caras com outro editorial do Andrés Rodríguez, desta vez na também excelente Esquire espanhola, do mesmo grupo Spainmedia. De tempos a tempos, é preciso ler estas coisas para nos lembrarmos porque escolhemos entregar a alma ao jornalismo, assim como se dá o corpo às balas. E fez-me pegar, mais uma vez (e já são tantas) no Cartas a un jovem periodista do Juan Luis Cebrián.

Fica o texto do Andrés.

¿Estudio periodismo?
ANDRÉS RODRÍGUEZ | 24/11/2015

Me preguntan a menudo sobre mi oficio y yo, con la osadía del muletilla que quiere ser torero, me lanzo al ruedo y les canto mi tarantela. Mira, el periodismo está más vivo que nunca. Jamás un periodista, o alguien que quiera serlo, tuvo luz verde para que cualquiera le leyese sin necesidad de tener los medios para hacerlo. Mi interlocutor se para a pensar y antes de que se trague la croqueta ardiente de Casa Labra regreso al ataque. Lo que está en reconversión es la patronal y el que está pagando el convite es ese sobrino tuyo que quiere ser periodista y que es muy probable que no pueda pagar los pañales de su hijo a no ser que lo contrate una agencia de comunicación.

Nos ocurre lo mismo que les pasó a los astilleros cuando los coreanos hacían los barcos más baratos que nosotros. Cualquier reconversión es dolorosa. A nadie se le escapa que es internet el que le ha dado la vuelta a la tortilla. Los que manejaban los medios, los empresarios (yo ahora lo soy también) han perdido el privilegio de ser los media, de ser los mediadores, de la información. Y lo que es peor: han ganado tanto dinero que, narcotizados por la pasta, ahora no saben qué hacer.

La televisión le está viendo las orejas al lobo con los usos de otras pantallas. ¿No me digas que sigues viendo la tele sin echarle un vistazo al móvil a la vez? La radio se defiende pero le está entregando a Twitter parte de sus contenidos de manera gratuita. Y los compañeros de la prensa escrita proclaman una y otra vez la muerte del papel, cuando no se dan cuenta de que el papel no murió nunca, siempre se recicló. Y lo sé yo que lo vendí al peso algunos años.

Nosotros somos socios de El Español porque creemos en el periodismo como una de las herramientas imprescindibles para evitar que el poder abuse de nosotros y se corrompa. Cómo se haga ese periodismo no me preocupa ni lo más mínimo, porque no pienso dejar que la forma, que el formato, quiebre mis ganas de cultivarme en mi compromiso con el fondo.
Aún así, soy infinitamente feliz al ver que mi hija ha decidido ser periodista, como su madre, como su padre, como tú, o como tú que nos lees.

Foals em 360º

 

"Mountain At My Gates", Foals

“Mountain At My Gates”, Foals

Os Foals não são apenas uma das melhores bandas que a música alternativa recente tem, são também uma das mais criativas no que toca à sua imagem. A estética dos seus vídeos é reflexo disso mesmo, já que são autênticas curtas metragens dignas de ultrapassar as fronteiras do YouTube.

Agora, a banda de Yannis Philippakis bateu toda a gente na indústria da música ao apresentar o primeiro videoclip filmado com tecnologias de realidade virtual, diz a Pitchfork.

“Mountain At My Gates” é o segundo single de What Went Down, o quarto disco de estúdio, que o grupo britânico lançou em Agosto. É um tema extraordinário com as variações de intensidade a que os Foals já nos habituaram sem cansar. E adequa-se perfeitamente ao cenário do vídeo: as montanhas por detrás da presença da banda, imponentes até aos últimos segundos do vídeo. Até lá, a ideia é interagir com o vídeo, em 360º.

O vídeo foi gravado com uma GoPro Spherical e pode ser visto através da mobile app do YouTube ou no Chrome. Nabil é o responsável por este e outros videoclips dos Foals, ele que também já trabalhou com os Alt-J, Kanye West e Antony and The Johnsons.

A versão em 2D também é curiosa e pode ser vista aqui.

Talvez o jornalismo possa inspirar-se nesta tecnologia e deixar-se contagiar pelas ferramentas do futuro.

Aprender a motivar para liderar

Grandes comunicadores
Executive Digest, Agosto 2013
Tema de capa

“O líder deve ser um bom comunicador, capaz de captar o público e motivá-lo. São muitos os especialistas em comunicação organizacional que apontam para a necessidade de eloquência dos executivos de topo. Porém surgem, em diferentes esferas da sociedade, vários exemplos de personalidades que fogem àquela regra. Podem não suscitar a empatia do público a que se dirigem. É possível até que não sejam reconhecidos como oradores de excelência. Mas afirmaram-se com um estilo de comunicação próprio, que se tornou sua imagem de marca.”

ExecutiveDigest#89Capa