Pelo menos ainda temos o Twitter

© Público

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Lá para Bruxelas, discute-se a Grécia. Sai ou não sai. Paga ou não paga. Varoufakis é sexy ou não é sexy.

Entretanto, na Internet, está a acontecer isto. Alguém criou a hashtag #SeNãoTivéssemosEmprestadoDinheiroAosGregos e o Twitter está a divertir-se a conjecturar Portugal num presente alternativo. Ficam algumas ideias.

A adopção. Outra vez.

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Neil Patrick Harris tweeted this Halloween picture with his husband and two kids

A Assembleia da República chumbou hoje três propostas para legalizar a adopção por casais homossexuais, uma do PS, outra do Bloco de Esquerda e ainda outra dos Verdes. Pela quarta vez em quatro anos, esta maioria parlamentar decidiu que casais do mesmo sexo não podem adoptar crianças legalmente.

Era na bancada do PSD que se depositavam esperanças (e na PCP alguma surpresa, porque iria votar a favor). Os deputados social-democratas tinham liberdade de voto. Apenas sete votaram a favor de duas propostas.

Votos à parte, e porque as contas batem sempre na mesma resposta negativa, não consigo compreender como é que continuam a ser objecto de votação temas como este. Com que autoridade pode um partido decidir se crianças têm ou não direito a uma família? Será o facto de existirem duas figuras parentais do mesmo sexo suficiente para impor que se legisle sobre o assunto? Numa sociedade que defende a diferença e a liberdade, pode votar-se o amor?

E voltando à ideologia: como podemos nós, portugueses, aceitar um Parlamento que se rende à pura ideologia para classificar como inaceitável uma realidade tão comum quanto normal? Resta-nos esperar que uma maioria de Esquerda possa, pelo menos neste assunto, agir com o juízo que a intransigente defesa da liberdade obriga.

Este post serve para explicar que é por estas e por outras que nunca poderei alinhar totalmente com um partido político ou com uma ideologia fechada. E sim, a foto foi escolhida a dedo para mostrar como há famílias felizes com pais do mesmo sexo.

Ils sont Charlie?

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Já é o assunto mais falado na história do Twitter. O atentado à redacção do Charlie Hebdo, jornal satírico francês de que já se falou por aqui, aconteceu na passada quarta-feira, 07 de Janeiro. Desde então, multiplicam-se homenagens aos 12 jornalistas, cartoonistas e polícias mortos por terroristas ligados à Al-Qaeda, que reclamou o feito. Jornalistas em todo o mundo partilham a frase que divulgou o atentado nas redes sociais: “je suis charlie”. Políticos seguem-lhes o exemplo. Mas seremos todos Charlie?

Claro que nestas coisas que se tornam virais as opiniões dividem-se e há gente que alinha em todos flancos. Vimos mesmo quem defendesse que o Charlie Hebdo provocou os fundamentalistas islâmicos com os seus cartoons.

Mais comuns, porém, foram algumas auto-proclamações de quem se afirmou Charlie com a contagiante hashtag #jesuischarlie. Mas não podemos deixar de fora aqueles que esperavam avidamente as declarações em prol da liberdade de expressão destas pessoas, para logo de seguida lhes recordarem todos os momentos em que não foram Charlie. Vale a pena ouvir o testemunho do Bruno Nogueira e do João Quadros, no Tubo de Ensaio.

Ora, não querendo alinhar nem com uns nem com outros, não resisto a partilhar esta manifestação dos Charlies socialistas. Nota: afirmar-se Charlie foi, nos últimos dias, uma expressão de defesa da liberdade de expressão, esse valor atacado pelos fundamentalistas que tentaram silenciar o jornal francês.


 António Costa e companhia (Manuel Alegre, Fernando Medina, Mário Soares, Ferro Rodrigues, Jorge Sampaio, Helena Roseta, entre outros) são Charlies. Os socialistas são Charlies menos quando não estão a sacar gravadores a jornalistas da Sábado ou a desviar microfones a secretários de Estado das Finanças.

Charlie Hebdo, a liberdade de imprensa

O jornal satírico francês Charlie Hebdo foi hoje alvo de um ataque perpetrado por dois homens armados. Pelo menos 12 pessoas morreram, incluindo alguns dos cartoonistas responsáveis pelas sátiras semanais e o director da publicação, para além de dois polícias. Dez pessoas foram feridas.

Os pormenores conhecidos até agora podem ser lidos na BBC, que tem – como sempre – um dos melhores relatos do acontecimento. Por aqui, vale a pena recordar que este não é o primeiro ataque à redacção do Charlie Hebdo, alvo de uma bomba em 2011. O semanário ganhou destaque em 2006, quando republicou os polémicos cartoons sobre o profeta islâmico Maomé do jornal dinamarquês Jyllands-Posten.

As notícias hoje conhecidas descrevem que os responsáveis pelo ataque terão gritado frases a defender Alá.

Em Paris, estão a reunir-se na Place de la République vários jornalistas, milhares de pessoas. Os ataques violentos à liberdade de imprensa não são inéditos em França. Ainda em Novembro de 2013, um homem armado invadiu e disparou na redacção do Libération, atingindo um fotógrafo do jornal.

As manifestações de choque e apoio ao Charlie Hebdo estão a surgir um pouco por todo o mundo (#jesuischarliehebdo). O Expresso divulgou uma breve mensagem de solidariedade que resume bem o acontecimento e a forma como a notícia está a ser recebida pelos jornalistas, esta classe (tantas vezes considerada corja) que é capaz de dar tudo, até a vida, pelo dever maior da informação.

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E porque a melhor forma de recordar os colegas do Charlie Hebdo é não deixar cair o seu trabalho, ficam algumas imagens com que o jornal agitou as águas nos últimos anos e relatos que as redes sociais se encarregaram de divulgar.

Meilleurs vœux, au fait. pic.twitter.com/a2JOhqJZJM

— Charlie Hebdo (@Charlie_Hebdo_) January 7, 2015