Vulgaridades e pretensões

Vasco Pulido Valente resumindo as pretensões diárias dos tempos modernos, ao i, em Março de 2015.

O que é que lhe faz falta?

Gostava de ter os restaurantes que havia em Lisboa antigamente. Que não tivessem estrelas, nem fossem Michelin, nem fossem cozinha de autor, com aquelas coisas todas que não me impressionam e que, de uma maneira geral, detesto. Dou-lhe este exemplo: nesta rua onde vivo havia à esquina um restaurante baratinho onde ia almoçar grande parte do pessoal do Ministério do Trabalho, que era o Cunha, e onde se comia optimamente. Fechou. Havia um bom chinês mesmo aqui na porta ao lado. Faliu. Havia a Isaura, um belo restaurante, agora é um grill. Tudo comida feita, que eu não como. E não eram restaurantes de luxo. Agora há uma desigualdade tremenda entre os restaurantes finos, da Baixa, com chefes assim e chefes assado, e os restaurantes de bairro, que deixou de haver – as tabernazinhas do Bairro Alto onde se comia optimamente e que eram baratíssimas. Comia-se boa comida, despretensiosa, sabe como é? Agora há grandes pretensões com a comida e os restaurantes são piores. A evolução dos tempos trouxe uma grande vulgaridade, para tudo: para a arte, a música, a televisão. É ao gosto das massas – isto é pretensioso dizer –, mas não é o meu.

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