Falta-lhe gravitas

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(O Expresso adora publicar coisas às pinguinhas.)

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Sapos democráticos

© Filipa Moreno

© Filipa Moreno

(Faço já o disclaimer, para amainar leituras potencialmente agressivas das seguintes constatações. Não sou nem de um partido de esquerda, nem de um partido de direita. Aqui vai.)

O pessoal de esquerda ficou muito contente porque voltarmos a ter um ministério da Cultura. Não devem ter gostado muito que, com este ministério, o orçamento para a cultura, em 2016, seja inferior ao do ano passado, quando a pasta estava a cargo de uma secretaria de Estado.

Pior. A malta de esquerda não deve ter gostado muito de ver contrapostas a liberdade de expressão de dois cronistas (Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente) e a demissão do ministro João Soares. Ministro da Cultura, imagine-se. Coitados.

Pior ainda. A malta de esquerda não deve ter gostado muito de ver um apelo, em sentido contrário à liberdade de expressão, plasmado num dos editoriais do Público (“Cala-te, Sócrates”).

Dá para ser pior que isto? Dá, sim senhor. Quem é que apontou a incoerência de um jornal pedir menos liberdade de expressão a uma figura (pública, em investigação…)? Pedro Passos Coelho.

Este ano está a ser duro para a esquerda. O que torna mais fácil engolir estes sapos? Cá para mim, a coerência. Não adianta defender alguém ou alguma coisa com unhas e dentes, quando erram. Insistir no erro só torna as situações um pouco mais penosas. (Ainda que seja algo divertido ver.) Mais vale reconhecer, com distância e imparcialidade, e seguir em frente, tomando um pouco da humildade democrática de que os políticas tantas vezes falam.

Assim mesmo. Que um “democrático(a)” em frente de cada recomendação torna as reprimendas menos vexatórias.

Vulgaridades e pretensões

Vasco Pulido Valente resumindo as pretensões diárias dos tempos modernos, ao i, em Março de 2015.

O que é que lhe faz falta?

Gostava de ter os restaurantes que havia em Lisboa antigamente. Que não tivessem estrelas, nem fossem Michelin, nem fossem cozinha de autor, com aquelas coisas todas que não me impressionam e que, de uma maneira geral, detesto. Dou-lhe este exemplo: nesta rua onde vivo havia à esquina um restaurante baratinho onde ia almoçar grande parte do pessoal do Ministério do Trabalho, que era o Cunha, e onde se comia optimamente. Fechou. Havia um bom chinês mesmo aqui na porta ao lado. Faliu. Havia a Isaura, um belo restaurante, agora é um grill. Tudo comida feita, que eu não como. E não eram restaurantes de luxo. Agora há uma desigualdade tremenda entre os restaurantes finos, da Baixa, com chefes assim e chefes assado, e os restaurantes de bairro, que deixou de haver – as tabernazinhas do Bairro Alto onde se comia optimamente e que eram baratíssimas. Comia-se boa comida, despretensiosa, sabe como é? Agora há grandes pretensões com a comida e os restaurantes são piores. A evolução dos tempos trouxe uma grande vulgaridade, para tudo: para a arte, a música, a televisão. É ao gosto das massas – isto é pretensioso dizer –, mas não é o meu.