30 antes dos 30: Sen to Chihiro no Kamikakushi

Chihiro e Haku, personagens de Spirited Away

Está entre os melhores filmes de animação de sempre e tem o recorde de bilheteira aquando da sua estreia no Japão: Sen to Chihiro no Kamikakushi, de 2001, é possivelmente a obra-prima de Hayao Miyazaki.

Tudo começou quando Miyazaki se apercebeu de uma falta de histórias com personagens femininas fortes, feitas para os mais novos. Inspirado por meninas amigas da família, apercebeu-se de que os temas de revistas japonesas de manga iam pouco além de histórias românticas. Daí nasceu Chihiro, a heroína de 10 anos que se vê forçada a mudar de cidade por vontade dos pais, deixando para trás os amigos. A família vai parar a um mundo espiritual quando entra num parque de diversões aparentemente abandonado. Os pais da menina são transformados em porcos. Chihiro escapa a semelhante sorte porque encontra Haku, que a aconselha a procurar trabalho, um trabalho que escraviza praticamente todos os habitantes daquele universo paralelo. A missão de Chihiro é libertar os pais do jugo de Yubaba, a feiticeira-avó que rege aquele mundo. Continuar a ler

30 antes dos 30: Bram Stoker’s Dracula

Gary Oldman em Bram Stoker’s Dracula, de Francis Ford Coppola

Em 1992, num momento de impasse pessoal na indústria, Francis Ford Coppola arrisca na repetição de Dracula. “Mais um versão?”, poderiam ter-lhe perguntado. Socorrendo-se de um elenco de luxo e do cuidado extremo em cada pormenor, Coppola entrega não uma versão mas a sua própria interpretação do vampiro. Por isso, dá-lhe o nome do criador e transforma Bram Stoker’s Dracula numa homenagem simultânea à história e ao cinema. Afinal, não é assim que se fazem os clássicos?


A resposta afirmativa à pergunta está tão simplesmente nas escolhas e no método de Francis Ford Coppola. A preparação do filme começa com um storyboard animado distribuído por toda a equipa para que a sua visão transitasse, com precisão, da sua mente para a realidade. Impregnado dessa visão, o filme ganha forma com o que foi um dos segredos do seu sucesso – o guarda-roupa. Continuar a ler

30 antes dos 30: The Truman Show

Jim Carrey em The Truman Show (1998)

And you may find yourself 
Behind the wheel of a large automobile
And you may find yourself in a beautiful house
With a beautiful wife
And you may ask yourself, well
How did I get here?

David Byrne podia ter escrito “Once in a Lifetime” para The Truman Show. Mas quase 20 anos separam a música (de 1980) do filme (de 1998).

As palavras do frontman dos Talking Heads são, contudo, certeiras e “Once in a Lifetime” acabou por ser escolhida para o trailer de The Truman Show, quase que a sugerir perguntas que o protagonista vai fazendo a si mesmo ao longo da história.

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30 antes dos 30: Léon, The Professional

Jean Reno e Natalie Portman em Léon, The Professional (1994)

Ao subir as escadas do seu prédio, depois da habitual paragem na mercearia para comprar leite, Léon encontra uma criança. As pernas a bambolear, de um piso para o inferior, estão vestidas com leggings de cartoons. O cabelo curto esconde-lhe a cara. Disfarça o cigarro. É assim que Luc Besson nos apresenta a personagem Mathilda, em Léon, The Professional. É assim que Léon a conhece, enquanto sobe a escada até casa, depois da habitual paragem na mercearia para comprar dois pacotes de leite. Continuar a ler

30 antes dos 30: Dazed and Confused

Dazed and Confused (1993)

Um Pontiac amarelo rompe ao som de “Sweet Emotion”. Dois clássicos fazem a cena de abertura de Dazed and Confused. O carro é de 1970, a faixa é dos Aerosmith. Está lançado o tom do filme que deu nome a Richard Linklater, em 1993.

Dazed and Confused bebe do entusiasmo juvenil dos muitos actores que se estrearam com esta oportunidade. Absorve essa energia e retrata-a. Inspira-se na urgência do mundo teen e traduz aquela pressa de viver. Continuar a ler