30 antes dos 30: Último Tango em Paris

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Ultimo Tango a Parigi (1972)

Controverso, estranho, repulsivo – Ultimo Tango a Parigi é talvez o filme que mais palco deu a Bernardo Bertolucci mas marcou mais pela polémica do que pelo valor como grande obra do cinema do século XX.

Marlon Brando e Maria Schneider dão vida ao filme de 1972, que as etiquetas do cinema viriam a cunhar como drama erótico. Brando é Paul, um americano que vela o suicídio da mulher em Paris, onde conhece a jovem Jeanne, interpretada por Schneider. Umas quantas ruas escuras depois, os protagonistas iniciam uma ligação sexual em que, como regra, não podem partilhar qualquer informação pessoal. A relação torna-se uma sucessão de encontros fortuitos, num tom quase obsessivo e seguramente tóxico, de duas pessoas que procuram um no outro a expiação dos seus fantasmas.

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30 antes dos 30: A Flor do Equinócio

A Flor do Equinócio (1958)

A Flor do Equinócio (1958)

A Flor do Equinócio passou na RTP2 no sábado. Sabendo que estava na lista, e vendo bom cinema na televisão nacional, fiquei a acompanhar este que é um dos filmes de um dos maiores mestres do cinema japonês.

Yasujiro Ozu atravessou eras e as suas obras relatam a evolução do cinema como arte. A Flor do Equinócio (Higanbana, no original) foi o primeiro filme que fez a cores e é especial também por esse motivo. Para as filmagens, Ozu escolheu a marca Agfa por achar que essa película representava as cores vermelhas melhor que a Fujifilm e a Kodak. Se a princípio o título do filme não parece ter relação com o seu conteúdo, logo percebemos que a importância desta escolha está associada ao nome: a flor do equinócio é vermelha. O resultado é uma paleta de cores esbatida e subtil que não choca por ser a primeira vez que Ozu filma fora do registo preto e branco.

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30 antes dos 30: Cinema Paradiso

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Cinema Paradiso (1988)

Se há um filme em que falar da magia do cinema faz sentido, é este. Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso, no original italiano) foi escrito e realizado for Giuseppe Tornatore e estreou em 1988. Sempre ouvi falar dele, mas foi preciso estar na lista para finalmente o ver.

Toto é um miúdo apaixonado pelo cinema, mais velho do que a sua altura faz crer. Sobretudo, porque se faz acompanhar (ou persegue, melhor dizendo) de Alfredo, o homem que comanda as projecções do Cinema Paradiso. Toto (Salvatore) fica fascinado por aquele mundo, particularmente pelas cenas de beijos nos filmes que, por censura do padre da aldeia, Alfredo tem de cortar das fitas antes que a população possa vê-los. A aldeia faz do cinema o seu entretenimento. Todas as noites, as crianças partilham cigarros frente ao grande ecrã, os mais velhos adormecem durante as sessões.

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30 antes dos 30: The Big Lebowski

The Big Lebowski (1998)

The Big Lebowski (1998)

Joel e Ethan Coen entregam histórias estranhas e cativantes. Fazem equilíbrios perfeitos entre enredos inusitados e humor subtil. The Big Lebowski é assim.

Três dos meus conselheiros tinham determinado que não podia passar dos 30 sem ver este filme. As expectativas eram elevadas mas nada do que encontrei aqui correspondia ao que esperava. Sem conhecer a história (suspeito que era a única pessoa), foi fácil imaginar uma personagem maior para Jeff Bridges do que a de um pacifista arraçado de bum. Valeram-lhe os White Russians, os man a fechar cada frase e aquele jeito descontraído com que encara a sucessão de infortúnios que lhe acontecem. (Quem é que se preocuparia com o tapete da entrada depois de ver a sua cabeça enfiada na sanita?) Valeu-lhe também o efeito da idade. É que este filme saiu em 1998, ainda eu não tinha completado uma década e o Jeff, um perfeito jovem de quase 50 anos, apresentava muito menos rugas do que hoje. Perdoem-me a fraca memória, mas o Jeff Bridges que eu conheço é o do True Grit, onde este cabelo pelos ombros à surfista (a fazer lembrar o Eddie Vedder) é substituído por madeixas rudes e brancas, presas debaixo de um chapéu empoeirado.

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30 antes dos 30: Buffalo 66

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Buffalo 66 (1998)

Vincent Gallo é Billy Brown em Buffalo 66.

Billy tem pais disfuncionais que quer impressionar a todo o custo e um amigo que serve o único propósito de confessor do protagonista. Billy tem também um olhar quase sempre vazio de emoção, toldado pelo objectivo máximo de uma vingança que deveria culminar com mortes: a do antigo jogador de futebol americano, que lhe provocou a desgraça financeira através de aposta perdida, e também a sua. Billy é um recluso acabado de sair da prisão, que rapta Layla para pousar como sua mulher frente aos pais neuróticos que o julgam casado e bem na vida.

Christina Ricci é Layla, uma jovem roubada de repente às aulas de dança, que traja um baby doll azul bebé durante todo o filme e sapatos de sapateado a condizer. (E que tem direito a um momento inóspito e hipnotizante em que mostra os seus dotes de sapateado entre um fade in e um fade out, em jeito de intervalo a meio do enredo.)

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