30 antes dos 30: Django Unchained

Jamie Foxx em Django Unchained

There ain’t no grave can hold my body down.

Entre correntes que se arrastam pelo chão, a voz de Johnny Cash ecoa no trailer de Django Unchained. There ain’t no grave can hold my body down. Quentin Tarantino pediu emprestados o carisma da voz de Cash e o contexto instantâneo para onde a música remete e decidiu situar aí a história de Django Unchained, um filme de 2012 sobre o fim da escravatura nos Estados Unidos da América. Continue reading

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30 antes dos 30: Bram Stoker’s Dracula

Gary Oldman em Bram Stoker’s Dracula, de Francis Ford Coppola

Em 1992, num momento de impasse pessoal na indústria, Francis Ford Coppola arrisca na repetição de Dracula. “Mais um versão?”, poderiam ter-lhe perguntado. Socorrendo-se de um elenco de luxo e do cuidado extremo em cada pormenor, Coppola entrega não uma versão mas a sua própria interpretação do vampiro. Por isso, dá-lhe o nome do criador e transforma Bram Stoker’s Dracula numa homenagem simultânea à história e ao cinema. Afinal, não é assim que se fazem os clássicos?


A resposta afirmativa à pergunta está tão simplesmente nas escolhas e no método de Francis Ford Coppola. A preparação do filme começa com um storyboard animado distribuído por toda a equipa para que a sua visão transitasse, com precisão, da sua mente para a realidade. Impregnado dessa visão, o filme ganha forma com o que foi um dos segredos do seu sucesso – o guarda-roupa. Continue reading

30 antes dos 30: Taxi Driver

Robert De Niro como Travis Bickle, Taxi Driver (1976)

Circula por aí uma lista de 39 recomendações de Martin Scorsese a um jovem cineasta que queria preencher as lacunas da sua formação. Que filmes lhe faltava ver?

A pergunta também me ocorreu. Quais os clássicos indispensáveis a quem está prestes a atingir uns respeitáveis 30 anos? À falta de Scorsese, traçou-se uma lista com as recomendações dos apreciadores de cinema mais à mão. “30 antes dos 30” é o mote (embora já sejam muito mais as recomendações na calha).

Scorsese não é só o ponto de partida deste desafio, mas também um dos nomes mais sugeridos. E nada mais justo que começar pelo filme que deu ao cinema uma das suas frases mais conhecidas. “Are you talking to me”, pergunta-nos Robert De Niro – a improvisar – na pele de Travis Bickle, um veterano do Vietname de olhar inflamado. Porque as memórias de guerra não o deixam dormir, percorre as ruas da Nova Iorque dos anos 1970 a planear como irá, um dia, limpar a cidade. A partir do seu táxi, Travis vai condenando a sujidade das ruas, a podridão dos vícios, o lado negro da condição humana. E espera pela chuva que, acredita, vai purgar as ruas. Continue reading