The Dead Don’t Die, os zombies de Jarmusch

The Dead Don’t Die. Jim Jarmusch (2019)

Aviso à navegação: vou evitar os spoilers mas os mais sensíveis não devem ler este texto.

Com Paterson (Adam Driver no papel principal) ainda na cabeça – esse poeta urbano, deprimido pela exaustão da vida – o novo filme de Jim Jarmusch gerou expectativas. É que a promessa era ambiciosa: entregar um filme sobre zombies com um elenco extenso de nomes bastante conhecidos.

Bill Murray, Adam Driver e Chloe Sevigny são as autoridades de uma pequena localidade onde o tempo parece ter parado. Tilda Swinton é a recente dona da funerária local. Tom Waits e Iggy Pop também lá estão, em personagens que vale a pena manter como segredo. Steve Buscemi e Danny Glover compõem o elenco de habitantes da cidade, a que Selena Gomez vai parar.

O que vale a pena dizer para já é que o guião de The Dead Don’t Die (2019) é uma refrescante surpresa, já que elimina a distância entre o espectador e o behind the scenes.

O guião ridiculariza alguns vícios modernos e faz-nos pensar se não seremos todos nós zombies sedentos de qualquer coisa (que não carne humana). Ou, pelo menos, a ideia está lá, não sendo certo se chega na forma de reflexão a todos os espectadores. Na sala de cinema (do já decadente Monumental Saldanha), onde aconteceu a antestreia, os risos foram muitos e, apesar de a experiência de ver um filme em sala permitir ver o que funciona para a maioria dos espectadores, parece que se perde a introspecção necessária para ler o subtexto.

The Dead Don’t Die é um filme divertido nesse sentido (a própria byline do filme revela algum humor – “the greatest zombie cast ever disassembled”). A narrativa desenrola-se em torno da música com o mesmo nome, de Sturgill Simpson, e parece ser esse o rastilho da ideia que deu origem ao filme. Podia ser um ponto de partida básico, mas a música é tão recente quanto o filme, embora tenha uma aura antiga. Ficamos a admirar um pouco mais a criatividade de Jarmusch.

Com o cuidado anti-spoiler, falta dizer ainda que este era um dos filmes deste ano em que apostava as minhas fichas. Agora, vão todas para o novo de Quentin Tarantino, que, parece, vai ser um filme maior e mais interessante do que The Dead Don’t Die.

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