Falta-lhe gravitas

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(O Expresso adora publicar coisas às pinguinhas.)

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Expresso 2:59

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A propósito da nova rubrica do Expresso Online, 2:59:

A ideia é excelente e acrescenta muito ao site do Expresso. Está um passo à frente dos Explicadores do Observador e parece que o público está a gostar. Cheira-me que 80% do sucesso está no facto de serem vídeos e nos efeitos sonoros e gráficos bonitinhos. O factor novidade também ajuda.

O fundo escuro dos vídeos torna a coisa um bocado sombria. As explicações podiam ser mais naturais, mas a naturalidade perde-se na tentativa de coordenar os gestos com os grafismos que vão ser colocados na edição. O que não acontece, por exemplo, no Vox.

O Vox, do Ezra Klein, é um dos projectos mais interessantes que surgiram no jornalismo recente. Um dos trabalhos mais giros que o Vox fez foi uma longa entrevista com o presidente dos Estados Unidos (com duas partes e uma série de vídeos). Os grafismos são surpreendentes e a forma como estão inseridos na edição, a coincidir com a naturalidade dos movimentos de Barack Obama, acrescenta sofisticação ao vídeo.

Na onda dos explicadores e do jornalismo de dados, o Vox também merece atenção.

O Expresso Online tem feito um esforço notório para usar ferramentas novas e modernas. A utilização das redes sociais (apesar de ser um pouco tosca, ou sou eu que não atino com o Snapchat) é meritória. O site é actualizado ao minuto e dá gosto ler alguns títulos de reportagens. Ainda há muito a fazer, mas o 2:59 parece ser já um sucesso. Que venham mais projectos como este (que, infelizmente, não disponibiliza os vídeos no YouTube).

Fica o link.

Suspenda-se a democracia

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Christine Lagarde, directora do FMI (Telegraph)

 

A manchete do Expresso que acabo de ler avisa que o FMI suspendeu a ajuda à Grécia até que um novo Governo tome posse. As eleições antecipadas acontecem no fim de Janeiro e foram precipitadas pela terceira tentativa fracassada para a escolha do candidato presidencial.

Dos 180 votos necessários, Stavros Dimas recolheu 168 nesta última volta. Os deputados estavam conscientes das consequências imediatas que uma não-escolha teria. Não deixa de ser admirável que o país europeu mais castigado pela intervenção externa tenha resistido às pressões ameaçadoras para evitar a crise política.

E não deixa de ser admirável que o FMI, essa entidade que, como se sabe, presta ajuda financeira (keyword: ajuda) à Grécia decida acrescentar à crise política nova instabilidade, novas dificuldades.

Suspende-se a ajuda financeira se não se suspende a democracia?