30 antes dos 30: Eternal Sunshine of the Spotless Mind

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Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004)

How happy is the blameless vestal’s lot!
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray’r accepted, and each wish resign’d;
Labour and rest, that equal periods keep;
“Obedient slumbers that can wake and weep;”
Desires compos’d, affections ever ev’n,
Tears that delight, and sighs that waft to Heav’n.

in “Eloisa to Abelard”, Alexander Pope

Tirado do poema de Alexander Pope, Eternal Sunshine of the Spotless Mind é um título propenso a reflexão prolongada. Ou, pelo menos, a minha.

Não pensei no título e no seu significado – agora – tão directo. Nem sempre que fui ouvindo falar deste filme, nem quando o coloquei na lista dos 30 antes dos 30.

A verdade é que o título – o verso – diz tudo o que há para dizer sobre esta história. Como também o fazem outras expressões, que vamos tirando do bolso ocasionalmente para fazer avançar uma conversa.

Ignorance is bliss.

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30 antes dos 30: Fight Club

Fight Club (1999)

No regresso à lista dos 30 antes dos 30, calhou, desta vez, Fight Club.

Para começo de conversa, é preciso dizer que o marketing deste filme anda errado desde o início. Portanto, desde 1999 que o Fight Club aparece com a carinha do Brad Pitt a fazer de porta de entrada. Até percebo o motivo, ou não fossem aqueles os anos áureos do rapaz. Mas este filme não é Brad Pitt (apesar de estar bem, sim). Este filme é Edward Norton.

Edward Norton tinha acabado de dar ao mundo American History X (1998). Aí, surge como um neonazi obstinado, que oscila entre a obrigação de cuidar da família e o vórtex que é o seu grupo de skinheads, até alcançar o arrependimento final. A suástica tatuada no peito é inesquecível, como também o é a cabeça rapada naquela personagem ajoelhada no chão, com um esgar estampado no rosto. Os braços estão musculados e o olhar é confiante.

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30 antes dos 30: Último Tango em Paris

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Ultimo Tango a Parigi (1972)

Controverso, estranho, repulsivo – Ultimo Tango a Parigi é talvez o filme que mais palco deu a Bernardo Bertolucci mas marcou mais pela polémica do que pelo valor como grande obra do cinema do século XX.

Marlon Brando e Maria Schneider dão vida ao filme de 1972, que as etiquetas do cinema viriam a cunhar como drama erótico. Brando é Paul, um americano que vela o suicídio da mulher em Paris, onde conhece a jovem Jeanne, interpretada por Schneider. Umas quantas ruas escuras depois, os protagonistas iniciam uma ligação sexual em que, como regra, não podem partilhar qualquer informação pessoal. A relação torna-se uma sucessão de encontros fortuitos, num tom quase obsessivo e seguramente tóxico, de duas pessoas que procuram um no outro a expiação dos seus fantasmas.

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30 antes dos 30: A Flor do Equinócio

A Flor do Equinócio (1958)

A Flor do Equinócio (1958)

A Flor do Equinócio passou na RTP2 no sábado. Sabendo que estava na lista, e vendo bom cinema na televisão nacional, fiquei a acompanhar este que é um dos filmes de um dos maiores mestres do cinema japonês.

Yasujiro Ozu atravessou eras e as suas obras relatam a evolução do cinema como arte. A Flor do Equinócio (Higanbana, no original) foi o primeiro filme que fez a cores e é especial também por esse motivo. Para as filmagens, Ozu escolheu a marca Agfa por achar que essa película representava as cores vermelhas melhor que a Fujifilm e a Kodak. Se a princípio o título do filme não parece ter relação com o seu conteúdo, logo percebemos que a importância desta escolha está associada ao nome: a flor do equinócio é vermelha. O resultado é uma paleta de cores esbatida e subtil que não choca por ser a primeira vez que Ozu filma fora do registo preto e branco.

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30 antes dos 30: Cinema Paradiso

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Cinema Paradiso (1988)

Se há um filme em que falar da magia do cinema faz sentido, é este. Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso, no original italiano) foi escrito e realizado for Giuseppe Tornatore e estreou em 1988. Sempre ouvi falar dele, mas foi preciso estar na lista para finalmente o ver.

Toto é um miúdo apaixonado pelo cinema, mais velho do que a sua altura faz crer. Sobretudo, porque se faz acompanhar (ou persegue, melhor dizendo) de Alfredo, o homem que comanda as projecções do Cinema Paradiso. Toto (Salvatore) fica fascinado por aquele mundo, particularmente pelas cenas de beijos nos filmes que, por censura do padre da aldeia, Alfredo tem de cortar das fitas antes que a população possa vê-los. A aldeia faz do cinema o seu entretenimento. Todas as noites, as crianças partilham cigarros frente ao grande ecrã, os mais velhos adormecem durante as sessões.

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