De novo, Ai Weiwei

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Depois de ter mudado o seu atelier para a ilha de Lesbos, para alertar o mundo para a crise dos refugiados, Ai Weiwei recriou a imagem que sensibilizou o mundo: a morte de Aylan Kurdi, a criança síria que morreu na tentativa de chegar à Europa, com a vaga de refugiados que arrisca a vida nas transições clandestinas de fuga à guerra.

O mais desafiante dos artistas da actualidade, que só recentemente recuperou a autorização para sair da China, volta a provocar (senão despertar) consciências, numa altura em que se reconhece um pouco por toda a parte que a Europa está a falhar na abordagem política e humanitária à recente vaga de migrantes. Na mesma altura em que as atitudes xenófobas ganham mais força e expressão.

50 ways to leave your lover

 

Até ao fim do mundo

É hoje, 6ª-feira, dia 29 de janeiro de 2016, que saio do Observador. É hoje que me despeço de si, com lágrimas a correr pela cara. São lágrimas, sim, de orgulho, de amor. Este é o meu até já.
Rua Luz Soriano, nº 67. Data marcada: 10 de março de 2014. Eu, o Diogo Queiroz de Andrade e o José Manuel Fernandes trabalhámos meses a fio para pensar numa estrutura, no site, fazer um orçamento – realista, mas adequado à dimensão do desafio. Fomos procurar casa, encontrar os jornalistas certos, os que queríamos e os novos, depois de ouvirmos centenas, de recebermos milhares de currículos. Faz hoje quase dois anos que descemos as escadas e os fomos receber à porta.
Lembro-me do nervosismo, dos sorrisos, da ansiedade. Deles e nosso. Naquele ido mês de março, lançar um projeto de média era quase um ato de loucura e todos tínhamos ouvido o mesmo, até dos amigos a sério: não há espaço para vocês, o mercado está em crise, são juniores e inexperientes, a concorrência do ‘novo’ Expresso vai ser terrível.

O David Dinis escreveu hoje o seu último 360°. Cara do Observador, o David Dinis vai agora para a TSF. Lembrei-me da despedida do Pedro Santos Guerreiro do Negócios. Não passei pelo Observador nem pelo Negócios, mas tudo isto também é muito meu.

Hop on the bus, Gus
You don’t need to discuss much
Just drop off the key, Lee
And get yourself free

Portugal sem tino

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Mais de 150 mil portugueses votaram no Tino de Rans. Mais de 150 mil portugueses não perceberam que escolher o presidente da República não é a mesma coisa que votar  num talent show das televisões.

Christmas with refugee children

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O melhor postal de Natal chegou hoje, pelo correio.

Já não é Natal, já nem estamos em Dezembro. Mas hoje alguém decidiu que a palavra do ano passado seria “refugiados”. Mera coincidência, fascínio tolo por marcos deste género. Que coisa, agora, votarmos para palavras mais destacadas que outras.

Este postal foi feito por uma criança refugiada. O fenómeno dos refugiados torna-se mais real do que o vemos na televisão. Deixa de ter esse nome – fenómeno – quando sabemos que uma criança desenhou a aguarelas um conjunto de traços coloridos. Não creio que terão sido feitos com especial significado, senão o de fazer passar o tempo neste limbo em que se encontram tantas crianças nos chamados campos de refugiados.

Mesmo assim, trouxeram mais Natal do que todo o mês de Dezembro.

Henrique Neto, O Estratega

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Escrevi um livro.

Escrevi a história de uma vida em tom político. Escrevi sobre um percurso que vale a pena conhecer.

A pretexto das presidenciais de 2016, Henrique Neto passou a ser conhecido de mais portugueses. Antes disso, sabia-se que era um dos mais fortes críticos de José Sócrates como primeiro-ministro, ele que até é militante do PS. Na indústria portuguesa, não só é conhecido como admirado.

Espero que este livro possa viver para lá das próximas eleições. Porque esta história de vida merece ser conhecida por muitos. Das origens humildes de uma família operária na Marinha Grande à militância comunista. Da ascensão a self-made man à construção de um império industrial português. Da proximidade a António Guterres ao mandato como deputado socialista. Das inúmeras cartas a Guterres, Sócrates, Jorge Sampaio e outros aos silêncios que quase sempre lhes sucediam. Das denúncias dos negócios ruinosos para o Estado à estratégia para o futuro de Portugal.

Perguntei-lhe várias vezes por que continua. O próprio partido não lhe dá ouvidos e trata-o como uma voz incómoda. Quando anunciou a sua candidatura, António Costa comentou a notícia com um mero “É-me indiferente”. Por que continua?

“Se o faz por espírito de missão ou por sentido de Estado, guarda‑o para si. Prefere falar em vaidade. Sim, há uma certa vaidade na visão estratégica que quer que Portugal siga, porque o tempo provou que as suas previsões estão, geralmente, correctas. E também aqui pode dar‑se o caso de ter razão. O mesmo tempo dotou‑o de alguma arrogância, mas não tem a veleidade de se achar acima de toda a verdade. A rectidão é uma das suas maiores conquistas. A frontalidade é uma inevitabilidade que lhe trouxe alguns dissabores.”