É bom quando ganham os melhores

DN, 6 Out 2016

É bom quando ganham os melhores.

A frase precisa de ser lida mais uma, outra vez. Porque sim, é verdadeiramente bom quando ganham os melhores. Nisto da eleição para escolher o novo secretário-geral das Nações Unidas, parecia que havia um só candidato, porque só se falava deste. Na verdade, eram mais de 10 os que disputavam o cargo juntamente com António Guterres. Na reta da meta, apareceu ainda a candidatura que nos deixou a pensar que tinha valido o esforço, mas pronto, não é habitual calhar-nos tal sorte e portanto ficamo-nos por aqui.

Surpreendentemente, não. Guterres ganhou mesmo. E é bom quando ganham os melhores. É bom viver num momento (mesmo que tenha a duração de um fósforo) onde o mérito, as capacidades, a preparação e a experiência são motivos de sobra para indicar sujeito A ao cargo x. E não pesam mais os acordos de influência ou a nacionalidade ou a conveniência.

Não nos rendemos à escolha politicamente correcta. Porquê eleger uma mulher? Por ser mulher e a primeira a ocupar o cargo? Mas não sendo o candidato mais apto, deveríamos sequer considerar como argumento o seu género?

O Presidente da República escreveu a linha mais avisada que li e ouvi sobre a vitória de António Guterres. Porque o que esteve sempre em causa era escolher o melhor. The best man (or woman) for the job.

Pão e vinho sobre a mesa

Alimentos com excesso de açúcar, sal e gorduras deverão ser alvo de um aumento de impostos, avançou ontem a comunicação social.

É fácil ilustrar a notícia com um gorduroso hamburger do McDonald’s, para ajudar a diabolizar esses alimentos nocivos para a saúde e engolir melhor o novo aumento. Mas a SIC fugiu um pouco à regra e ajudou a perceber que alimentos podem estar contemplados neste fat tax.

Queijo, fiambre, sumos de garrafa. Tudo o que qualquer miúdo compra facilmente no bar da escola. Alimentos muito presentes no menu de muitos adultos.

Ah, mas os impostos indirectos só afectam quem quer comprar esses produtos. Há liberdade de escolha, argumenta-se.

Quando se taxa tudo à nossa volta, fica difícil escolher. E não me parece que limitar o leque de opções seja condição em letras pequeninas inscrita no verbete de “liberdade”.

Não? Então, se calhar vale a pena dizer que o Governo também está a pensar aumentar o imposto sobre o vinho.

A narrativa patusca de António Costa, por Rui Ramos

 

António Costa 2015


A teoria da narrativa e a demonização da ideologia da direita. E o mais triste é saber que em vez de fazerem fé nas palavras do Rui Ramos, muitos vão descredibilizar o artigo por ter o Observador como origem. Esse tendencioso jornal de direita.

António Costa podia ter apenas saudado o aumento dos candidatos colocados no ensino superior público. Mas foi mais forte do que ele: teve de acrescentar que isso se devia exclusivamente à “morte” do “modelo da direita”. Infelizmente, as estatísticas não o ajudam. O número de colocados começou por cair entre 2010 e 2011. Culpa do “modelo da direita”? Mas era Sócrates quem estava no poder. Depois, o número subiu de 2014 para 2015. Mérito da “reversão das políticas de direita”? Mas era Passos Coelho quem governava. Porque é que António Costa não pode dizer as coisas simplesmente como elas são? Onde está a dificuldade?

Dir-me-ão: mas esta “narrativa”, de tão patusca, não convence. Pois não: a manipulação, quando é demasiado evidente, nunca produziu convicção, mas sobretudo desconfiança e cinismo. Como poderia ser de outra maneira, se passa uma bicicleta, e o governo diz que foi um camião? Mas o poder, ao contrário do que por vezes se diz, nunca precisou de convicções: basta-lhe o conformismo

A vida segundo Galamba

Ao jornal i desta sexta-feira, o deputado João Galamba responde assim quando lhe dizem “Mas o governo PS está à mesma na camisa de forças do Tratado Orçamental…”
“A vida é uma camisa-de-forças. O importante é saber como vesti-la e como alargá-la um bocadinho mais. Há duas posições que devem ser rejeitadas: a ideia de que a camisa-de-forças é boa e de que não ter alternativa é bom porque assim as pessoas lá de fora controlam a irresponsabilidade genético cultural dos portugueses; e a oposição extrema contrária também não me parece correta. A de que como há uma camisa-de-forças o que devemos desejar é a ausência de qualquer camisa-de-forças e a liberdade absoluta. Ambos os extremos são inaceitáveis.”