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A carteira ou a vida: Portugal, a troika de esquerda e o Euro
O Wonkblog reflectiu hoje sobre o impasse político que vivemos à luz das imposições europeias. É que a cor política do governo de Portugal pode mudar mas a Europa continua a mesma de sempre. O artigo fala numa “mini-crise política” e no facto de poder – ou não – resultar numa nova crise económica.
Mais do que isso, faz-nos pensar com a calma que nos tem escapado no que representa esta novidade política de um governo socialista apoiado por PCP e Bloco de Esquerda. Diz o Matt O’Brien do Wonkblog que, apesar do sucesso do programa de ajustamento, a austeridade não acabou em Portugal. E não está para acabar tão cedo, porque a dívida pública ronda os 129% do PIB e o controlo fiscal do ponto de vista político pode ter já atingido o seu limite. (Não esquecer que a receita europeia também não está perto de mudar, mesmo após o episódio da crise grega e quase ruptura da União.)
O Wonkblog (do Washington Post) chama também a atenção para um pequeno mas crucial pormenor que nos tem escapado. É que enquanto António Costa anuncia que formará um governo que porá fim à austeridade, o que os socialistas defendem é apenas menos austeridade. Ora, PCP e Bloco de Esquerda não são assim tão amplos nas suas políticas.
On the one hand, Portugal’s Socialists aren’t against austerity in general, but rather against this much austerity. They want to spread spending cuts to protect their poorest people from losing too much too fast. But, on the other hand, the Socialists’ coalition partners want to reverse a lot of these cuts and restructure the country’s debt. That’s more or less the same platform that Greece’s at-one-time-radical Syriza Party tried to get Europe to acquiesce to, before ditching lest they be forced out of the euro. Would Portugal’s Socialists be able to avoid that kind of confrontation if they depended on the votes of people who wanted one? Who knows.
Com um sistema bancário dependente de empréstimos do Banco Central Europeu, Portugal tem de decidir se joga pelas regras europeias (que já são conhecidas, graças à Grécia) ou se prefere sair do jogo. Dito de outra forma, a austeridade ou o adeus à moeda única.
Portugal, in other words, has to decide whether it hates austerity more than it loves the euro. The two are inseparable. If you want to use Europe’s currency, then you have to play by Europe’s budget rules.
No election can change that.
Ficamos com a sensação de que de pouco servem as eleições ou a escolha de novos governos. Mas, de qualquer forma, os acontecimentos recentes já deixaram no ar essa ideia de que há sempre forma de contornar o voto popular.
O artigo na íntegra: Portugal might be the next stop in the euro crisis.
Compreender o que não pode ser compreendido
30 antes dos 30: A Flor do Equinócio
A Flor do Equinócio passou na RTP2 no sábado. Sabendo que estava na lista, e vendo bom cinema na televisão nacional, fiquei a acompanhar este que é um dos filmes de um dos maiores mestres do cinema japonês.
Yasujiro Ozu atravessou eras e as suas obras relatam a evolução do cinema como arte. A Flor do Equinócio (Higanbana, no original) foi o primeiro filme que fez a cores e é especial também por esse motivo. Para as filmagens, Ozu escolheu a marca Agfa por achar que essa película representava as cores vermelhas melhor que a Fujifilm e a Kodak. Se a princípio o título do filme não parece ter relação com o seu conteúdo, logo percebemos que a importância desta escolha está associada ao nome: a flor do equinócio é vermelha. O resultado é uma paleta de cores esbatida e subtil que não choca por ser a primeira vez que Ozu filma fora do registo preto e branco.
30 antes dos 30: Cinema Paradiso

Cinema Paradiso (1988)
Se há um filme em que falar da magia do cinema faz sentido, é este. Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso, no original italiano) foi escrito e realizado for Giuseppe Tornatore e estreou em 1988. Sempre ouvi falar dele, mas foi preciso estar na lista para finalmente o ver.
Toto é um miúdo apaixonado pelo cinema, mais velho do que a sua altura faz crer. Sobretudo, porque se faz acompanhar (ou persegue, melhor dizendo) de Alfredo, o homem que comanda as projecções do Cinema Paradiso. Toto (Salvatore) fica fascinado por aquele mundo, particularmente pelas cenas de beijos nos filmes que, por censura do padre da aldeia, Alfredo tem de cortar das fitas antes que a população possa vê-los. A aldeia faz do cinema o seu entretenimento. Todas as noites, as crianças partilham cigarros frente ao grande ecrã, os mais velhos adormecem durante as sessões.


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