Galamba e a errata

O Governo entregou este fim-de-semana uma errata ao documento do Orçamento do Estado 2016 (que suscitou um artigo bem intitulado do Pedro Santos Guerreiro, no Expresso, “A montanha pariu uma errata“). Nada de anormal, não fosse a correcção de uma frase fundamental da política orçamental do Executivo:

Onde se lia “invertendo a política dos últimos anos, perspetiva-se uma redução da carga fiscal em 0,1 p.p. do PIB em 2016”, deve passar a ler-se “invertendo a política dos últimos anos, perspetiva-se uma manutenção da carga fiscal em 2016″.

Já damos o benefício da dúvida nesta substituição discreta de “redução” por “manutenção”. Mas não dá para contornar que, na verdade, a carga fiscal não baixa.

O que causa estranheza, depois desta errata embaraçosa, é qualquer uma das seguintes hipóteses: a) esqueceram-se de mandar a dita errata ao João Galamba; b) o João Galamba anda a ver se os portugueses ainda acreditam que se baixa impostos, quando o próprio Orçamento recuou nesta premissa.

JoãoGalamba_Expresso1

Expresso 2:59

259Expresso

A propósito da nova rubrica do Expresso Online, 2:59:

A ideia é excelente e acrescenta muito ao site do Expresso. Está um passo à frente dos Explicadores do Observador e parece que o público está a gostar. Cheira-me que 80% do sucesso está no facto de serem vídeos e nos efeitos sonoros e gráficos bonitinhos. O factor novidade também ajuda.

O fundo escuro dos vídeos torna a coisa um bocado sombria. As explicações podiam ser mais naturais, mas a naturalidade perde-se na tentativa de coordenar os gestos com os grafismos que vão ser colocados na edição. O que não acontece, por exemplo, no Vox.

O Vox, do Ezra Klein, é um dos projectos mais interessantes que surgiram no jornalismo recente. Um dos trabalhos mais giros que o Vox fez foi uma longa entrevista com o presidente dos Estados Unidos (com duas partes e uma série de vídeos). Os grafismos são surpreendentes e a forma como estão inseridos na edição, a coincidir com a naturalidade dos movimentos de Barack Obama, acrescenta sofisticação ao vídeo.

Na onda dos explicadores e do jornalismo de dados, o Vox também merece atenção.

O Expresso Online tem feito um esforço notório para usar ferramentas novas e modernas. A utilização das redes sociais (apesar de ser um pouco tosca, ou sou eu que não atino com o Snapchat) é meritória. O site é actualizado ao minuto e dá gosto ler alguns títulos de reportagens. Ainda há muito a fazer, mas o 2:59 parece ser já um sucesso. Que venham mais projectos como este (que, infelizmente, não disponibiliza os vídeos no YouTube).

Fica o link.

De novo, Ai Weiwei

imrs.php

Depois de ter mudado o seu atelier para a ilha de Lesbos, para alertar o mundo para a crise dos refugiados, Ai Weiwei recriou a imagem que sensibilizou o mundo: a morte de Aylan Kurdi, a criança síria que morreu na tentativa de chegar à Europa, com a vaga de refugiados que arrisca a vida nas transições clandestinas de fuga à guerra.

O mais desafiante dos artistas da actualidade, que só recentemente recuperou a autorização para sair da China, volta a provocar (senão despertar) consciências, numa altura em que se reconhece um pouco por toda a parte que a Europa está a falhar na abordagem política e humanitária à recente vaga de migrantes. Na mesma altura em que as atitudes xenófobas ganham mais força e expressão.

50 ways to leave your lover

 

Até ao fim do mundo

É hoje, 6ª-feira, dia 29 de janeiro de 2016, que saio do Observador. É hoje que me despeço de si, com lágrimas a correr pela cara. São lágrimas, sim, de orgulho, de amor. Este é o meu até já.
Rua Luz Soriano, nº 67. Data marcada: 10 de março de 2014. Eu, o Diogo Queiroz de Andrade e o José Manuel Fernandes trabalhámos meses a fio para pensar numa estrutura, no site, fazer um orçamento – realista, mas adequado à dimensão do desafio. Fomos procurar casa, encontrar os jornalistas certos, os que queríamos e os novos, depois de ouvirmos centenas, de recebermos milhares de currículos. Faz hoje quase dois anos que descemos as escadas e os fomos receber à porta.
Lembro-me do nervosismo, dos sorrisos, da ansiedade. Deles e nosso. Naquele ido mês de março, lançar um projeto de média era quase um ato de loucura e todos tínhamos ouvido o mesmo, até dos amigos a sério: não há espaço para vocês, o mercado está em crise, são juniores e inexperientes, a concorrência do ‘novo’ Expresso vai ser terrível.

O David Dinis escreveu hoje o seu último 360°. Cara do Observador, o David Dinis vai agora para a TSF. Lembrei-me da despedida do Pedro Santos Guerreiro do Negócios. Não passei pelo Observador nem pelo Negócios, mas tudo isto também é muito meu.

http://www.youtube.com/watch?v=RTiyLuZOs1A

Hop on the bus, Gus
You don’t need to discuss much
Just drop off the key, Lee
And get yourself free

Portugal sem tino

12513860_207160622964281_8366255747177745217_o

Mais de 150 mil portugueses votaram no Tino de Rans. Mais de 150 mil portugueses não perceberam que escolher o presidente da República não é a mesma coisa que votar  num talent show das televisões.