Vulgaridades e pretensões

Vasco Pulido Valente resumindo as pretensões diárias dos tempos modernos, ao i, em Março de 2015.

O que é que lhe faz falta?

Gostava de ter os restaurantes que havia em Lisboa antigamente. Que não tivessem estrelas, nem fossem Michelin, nem fossem cozinha de autor, com aquelas coisas todas que não me impressionam e que, de uma maneira geral, detesto. Dou-lhe este exemplo: nesta rua onde vivo havia à esquina um restaurante baratinho onde ia almoçar grande parte do pessoal do Ministério do Trabalho, que era o Cunha, e onde se comia optimamente. Fechou. Havia um bom chinês mesmo aqui na porta ao lado. Faliu. Havia a Isaura, um belo restaurante, agora é um grill. Tudo comida feita, que eu não como. E não eram restaurantes de luxo. Agora há uma desigualdade tremenda entre os restaurantes finos, da Baixa, com chefes assim e chefes assado, e os restaurantes de bairro, que deixou de haver – as tabernazinhas do Bairro Alto onde se comia optimamente e que eram baratíssimas. Comia-se boa comida, despretensiosa, sabe como é? Agora há grandes pretensões com a comida e os restaurantes são piores. A evolução dos tempos trouxe uma grande vulgaridade, para tudo: para a arte, a música, a televisão. É ao gosto das massas – isto é pretensioso dizer –, mas não é o meu.

O regresso do dissidente

Ai Weiwei no seu estúdio, em Pequim © Harry Pearce/Pentagram April 2015

Ai Weiwei no seu estúdio, em Pequim © Harry Pearce/Pentagram April 2015

Em 2011, Ai Weiwei passou 81 dias detido na China. Activista e crítico do governo do seu país, viu a libertação chegar com um preço elevado: o seu passaporte foi confiscado e não pôde viajar para outros países. Até agora. Ai Weiwei é a exposição que a Royal Academy of Arts apresenta em Londres e o motivo para que o artista tenha conseguido reaver a sua liberdade. Os olhos do mundo estão postos em Weiwei e na exposição homónima que é um evento único no mundo das artes e um marco político do nosso tempo.

Para ler na Viagens & Resorts de Setembro/Outubro (em breve nas bancas).

Ébola é tão 2014

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© André Carrilho

O André Carrilho é o vencedor do World Press Cartoon 2015, com este desenho sobre o vírus do Ébola e a atenção particular da comunicação social aos casos de ocidentais infectados, no ano passado.

A epidemia foi controlada. Depois veio a Grécia e a Sara Carbonero que não quer acompanhar Iker Casillas na vinda para o Porto.

O que fica das coisas que esquecemos? Fica, pelo menos, o cartoon do André, publicado a 10 de Agosto de 2014 no Diário de Notícias.