30 antes dos 30: Bram Stoker’s Dracula

Gary Oldman em Bram Stoker’s Dracula, de Francis Ford Coppola

Em 1992, num momento de impasse pessoal na indústria, Francis Ford Coppola arrisca na repetição de Dracula. “Mais um versão?”, poderiam ter-lhe perguntado. Socorrendo-se de um elenco de luxo e do cuidado extremo em cada pormenor, Coppola entrega não uma versão mas a sua própria interpretação do vampiro. Por isso, dá-lhe o nome do criador e transforma Bram Stoker’s Dracula numa homenagem simultânea à história e ao cinema. Afinal, não é assim que se fazem os clássicos?


A resposta afirmativa à pergunta está tão simplesmente nas escolhas e no método de Francis Ford Coppola. A preparação do filme começa com um storyboard animado distribuído por toda a equipa para que a sua visão transitasse, com precisão, da sua mente para a realidade. Impregnado dessa visão, o filme ganha forma com o que foi um dos segredos do seu sucesso – o guarda-roupa. Continuar a ler

30 antes dos 30: The Truman Show

Jim Carrey em The Truman Show (1998)

And you may find yourself 
Behind the wheel of a large automobile
And you may find yourself in a beautiful house
With a beautiful wife
And you may ask yourself, well
How did I get here?

David Byrne podia ter escrito “Once in a Lifetime” para The Truman Show. Mas quase 20 anos separam a música (de 1980) do filme (de 1998).

As palavras do frontman dos Talking Heads são, contudo, certeiras e “Once in a Lifetime” acabou por ser escolhida para o trailer de The Truman Show, quase que a sugerir perguntas que o protagonista vai fazendo a si mesmo ao longo da história.

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30 antes dos 30: Léon, The Professional

Jean Reno e Natalie Portman em Léon, The Professional (1994)

Ao subir as escadas do seu prédio, depois da habitual paragem na mercearia para comprar leite, Léon encontra uma criança. As pernas a bambolear, de um piso para o inferior, estão vestidas com leggings de cartoons. O cabelo curto esconde-lhe a cara. Disfarça o cigarro. É assim que Luc Besson nos apresenta a personagem Mathilda, em Léon, The Professional. É assim que Léon a conhece, enquanto sobe a escada até casa, depois da habitual paragem na mercearia para comprar dois pacotes de leite. Continuar a ler

30 antes dos 30: Dazed and Confused

Dazed and Confused (1993)

Um Pontiac amarelo rompe ao som de “Sweet Emotion”. Dois clássicos fazem a cena de abertura de Dazed and Confused. O carro é de 1970, a faixa é dos Aerosmith. Está lançado o tom do filme que deu nome a Richard Linklater, em 1993.

Dazed and Confused bebe do entusiasmo juvenil dos muitos actores que se estrearam com esta oportunidade. Absorve essa energia e retrata-a. Inspira-se na urgência do mundo teen e traduz aquela pressa de viver. Continuar a ler

30 antes dos 30: Taxi Driver

Robert De Niro como Travis Bickle, Taxi Driver (1976)

Circula por aí uma lista de 39 recomendações de Martin Scorsese a um jovem cineasta que queria preencher as lacunas da sua formação. Que filmes lhe faltava ver?

A pergunta também me ocorreu. Quais os clássicos indispensáveis a quem está prestes a atingir uns respeitáveis 30 anos? À falta de Scorsese, traçou-se uma lista com as recomendações dos apreciadores de cinema mais à mão. “30 antes dos 30” é o mote (embora já sejam muito mais as recomendações na calha).

Scorsese não é só o ponto de partida deste desafio, mas também um dos nomes mais sugeridos. E nada mais justo que começar pelo filme que deu ao cinema uma das suas frases mais conhecidas. “Are you talking to me”, pergunta-nos Robert De Niro – a improvisar – na pele de Travis Bickle, um veterano do Vietname de olhar inflamado. Porque as memórias de guerra não o deixam dormir, percorre as ruas da Nova Iorque dos anos 1970 a planear como irá, um dia, limpar a cidade. A partir do seu táxi, Travis vai condenando a sujidade das ruas, a podridão dos vícios, o lado negro da condição humana. E espera pela chuva que, acredita, vai purgar as ruas. Continuar a ler