Murais reais

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E quando parece haver já pouco espaço para a indústria da música inovar surgem ideias que provam o contrário.

O novo álbum dos britânicos alt-J teve hoje o seu lançamento oficial. (Já estava antes disponível em algumas plataformas online e a própria banda veio a revelar alguns dos temas do novo trabalho nos últimos meses.) Para assinalar a chegada de This is all yours, uma loja Fnac em Paris convidou um artista a pintar ao vivo um mural com a capa do novo disco dos alt-J. O resultado surpreendeu, por ser uma iniciativa diferente, e pode ser visto aqui.

Já em Março os Foster The People estiveram na origem da construção de um mural, em Los Angeles, onde se podia ver a capa do segundo longa duração da banda americana, Supermodel. Com quase 40 metros de altura, o mural esteve para ser apagado, mas uma petição promovida pela banda conseguiu evitar a destruição da obra. Ideias originais, como a que podem ver no vídeo.

Orwell e Putin, de 1984 para 2014

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Para perceber Putin, leia Orwell. A sugestão é da revista do Politico e são muitos os pontos de encontro entre o livro 1984 de George Orwell (que viveu no início do século passado) e a actual “política externa” russa (ou, como prefiro, a política do “quero, posso e mando, quem gosta, gosta, quem não gosta, paciência”). A saber.

As tentativas de paz são geralmente acompanhadas de escaladas de violência. Ou, segundo Orwell, “was is peace”.

A Eurasia de que 1984 nos fala é, por coincidência, o nome da maior política externa da Rússia. E, só por acaso, na obra do escritor inglês esta Eurasia compreende tudo entre o Estreito de Bering (que liga os dois pontos extremos dos continentes americano e asiático) e… Portugal. Assim de repente faz lembrar a integração galopante de territórios perto da Rússia, não?

A ideia de união dos vários territórios na figura de um Estado único, como um líder totalitário, está para a Rússia dos tempos modernos como o Big Brother de Orwell para o 1984. Ao primeiro obedece-se por um medo suspenso, panóptico; o segundo tem o seu sucesso na existência universal e imaterial.

A análise do Politico é precisa e merece alguns minutos. E termina com um alerta recuperado de Orwell: “power is not a means, it is an end”.


Já agora, o Politico vai chegar à Europa (yeah!) através de um grupo de media alemão. Ficará sediado em Bruxelas e terá presença em França e na Alemanha. E promete abranger política e políticas europeias.