“Thank you, Leonard Cohen, for saving my life”

A lista dos 30 antes dos 30 deu-me a conhecer uma mão cheia de filmes incríveis, que, até agora, me tinham passado ao lado. E deixou-me espreitar pelo buraco da fechadura desse mundo imenso que é o do cinema. Pelo caminho, tenho conhecido histórias impressionantes e personagens fantásticas.

Roger Ebert não é das histórias nem foi personagem. Foi um dos críticos de cinema mais profícuos. Há tempos, quando li a sua crítica ao segundo volume de Kill Bill, identifiquei-me totalmente com o que escreveu e surpreendi-me por ser dos poucos críticos que corrigem uma posição anterior.

Agora, a pesquisar sobre 2001: A Space Odyssey, ouvi-o dizer que foi um filme que lhe provocou arrepios na espinha, uma coisa tão pirosa que não devia ser dita por nenhum crítico.

Acabei por ir parar à sua TED Talk de 2011. Através da voz criada pela Apple e da ajuda da sua mulher e dois amigos, o crítico americano conta como perdeu a voz na sequência de um cancro que o obrigou a várias cirurgias. Perdeu a mandíbula e a possibilidade de falar, mas não perdeu o sentido de humor.

E foi graças a uma música – muito longa – de Leonard Cohen que os médicos conseguiram salvá-lo do primeiro imprevisto.

 

30 antes dos 30: Natural Born Killers

Natural Born Killers. Oliver Stone (1994)

And now the wheels of heaven stop
You feel the devil’s riding crop
Get ready for the future
It is murder.

Há demónios à solta em Natural Born Killers (1994). Há demónios à solta e vivem dentro de Mickey e Mallory Knox, um casal amoroso e assustador de dois serial killers que o destino juntou numa viagem com mais de 50 vítimas. A culpa é das suas famílias abusivas, de terem crescido com os olhos colados à televisão viciante, de terem bebido da sede de mediatismo colectiva. A culpa é da sociedade doente que os produziu e cuspiu e esta é uma das premissa fortes do filme. Estamos nos anos 1990 e Oliver Stone, realizador, deixa o aviso: esta era está perto do fim. Só que esse fim não chega e o caminho que o realizador ladrilhou para lá chegarmos (“o amor será a salvação”) é demasiado ingénuo para esta história, que faz agora 25 anos. Continuar a ler

30 antes dos 30: In Bruges

Brendan Gleeson e Colin Farrell em In Bruges

As paredes góticas da cidade belga de Bruges são porto de abrigo para Ken (Brendan Gleeson) e cárcere para Ray (Colin Farrell). Um faz-se turista, enquanto o outro se vê prisioneiro – mas os dois são assassinos ao serviço de Harry (Ralph Fiennes) neste In Bruges (2008). Estão num exílio temporário enquanto aguardam instruções do patrão. Irlandeses, os dois homens vão parar àquela cidade medieval, que, assim como o guião escrito por Martin McDonagh, está impregnada de uma espiritualidade muito religiosa mas também muito filosófica. Continuar a ler