O outro lado da governação

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Recuperada pelo actual governo, a reforma da administração local foi polémica. Foi disruptiva. Foi corajosa. A reforma da administração local foi para a frente. Miguel Relvas, então ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, e Paulo Júlio, o seu secretário de Estado da Administração Local e da Reforma Administrativa, contam como tudo aconteceu num relato que atravessa a história de Portugal e alguns dos tempos mais difíceis em que o Executivo de Passos Coelho teve de negociar a reestruturação da administração local com os técnicos da Troika.

Aqui encontram-se relatos pessoais, memórias das manifestações contra a reforma, as relações com o Partido Socialista e mesmo as dinâmicas dentro da coligação do PSD com o CDS-PP, os diálogos com a Associação Nacional dos Municípios Portugueses e com a ANAFRE.

O livro “O outro lado da governação” tem prefácio de José Maria Aznar e testemunhos de figuras como Marcelo Rebelo de Sousa, Luís Marques Mendes, Fernando Ruas, Pedro Santana Lopes.

Eu faço parte da coordenação editorial.

30 antes dos 30: Buffalo 66

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Buffalo 66 (1998)

Vincent Gallo é Billy Brown em Buffalo 66.

Billy tem pais disfuncionais que quer impressionar a todo o custo e um amigo que serve o único propósito de confessor do protagonista. Billy tem também um olhar quase sempre vazio de emoção, toldado pelo objectivo máximo de uma vingança que deveria culminar com mortes: a do antigo jogador de futebol americano, que lhe provocou a desgraça financeira através de aposta perdida, e também a sua. Billy é um recluso acabado de sair da prisão, que rapta Layla para pousar como sua mulher frente aos pais neuróticos que o julgam casado e bem na vida.

Christina Ricci é Layla, uma jovem roubada de repente às aulas de dança, que traja um baby doll azul bebé durante todo o filme e sapatos de sapateado a condizer. (E que tem direito a um momento inóspito e hipnotizante em que mostra os seus dotes de sapateado entre um fade in e um fade out, em jeito de intervalo a meio do enredo.)

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Panteão nacional, por Matilde Campilho

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© Filipa Moreno

Mercúrio, meu cabrão:
Tu que alinhaste a melena
de outro em jeito de aviso
à queda, que penteaste teu
cabelinho todo para trás
antecipando o encontro:
Não podias ter soltado
pelo menos um conselho?
Meu grandessíssimo filho
de um deus velho, seu
moleque mimado: não
dava pra, sei lá, escrever
recado nos anéis do vovô
ou enfiar à socapa uma
mensagem no mapa
topográfico de Alicante?
Qualquer coisa servia, M.
Tu que puxaste o lustro
às sandálias e às asas
das tuas sandálias, que
ajeitaste o paletó de herói
e te lavaste os pés: tu já
sabias no que isso dava.
Meu grande sacana, tua
obrigação era subir na boca
de um megafone dourado
e dizer: «Cuidado rapaziada,
tenham atenção a esse nó
que acontece no estômago
no preciso momento em que
esperam por vosso amante
na pracinha junto à igreja.
Ou é úlcera ou é amor.»

Matilde Campilho, jóquei