Pão e vinho sobre a mesa

Alimentos com excesso de açúcar, sal e gorduras deverão ser alvo de um aumento de impostos, avançou ontem a comunicação social.

É fácil ilustrar a notícia com um gorduroso hamburger do McDonald’s, para ajudar a diabolizar esses alimentos nocivos para a saúde e engolir melhor o novo aumento. Mas a SIC fugiu um pouco à regra e ajudou a perceber que alimentos podem estar contemplados neste fat tax.

Queijo, fiambre, sumos de garrafa. Tudo o que qualquer miúdo compra facilmente no bar da escola. Alimentos muito presentes no menu de muitos adultos.

Ah, mas os impostos indirectos só afectam quem quer comprar esses produtos. Há liberdade de escolha, argumenta-se.

Quando se taxa tudo à nossa volta, fica difícil escolher. E não me parece que limitar o leque de opções seja condição em letras pequeninas inscrita no verbete de “liberdade”.

Não? Então, se calhar vale a pena dizer que o Governo também está a pensar aumentar o imposto sobre o vinho.

A narrativa patusca de António Costa, por Rui Ramos

 

António Costa 2015


A teoria da narrativa e a demonização da ideologia da direita. E o mais triste é saber que em vez de fazerem fé nas palavras do Rui Ramos, muitos vão descredibilizar o artigo por ter o Observador como origem. Esse tendencioso jornal de direita.

António Costa podia ter apenas saudado o aumento dos candidatos colocados no ensino superior público. Mas foi mais forte do que ele: teve de acrescentar que isso se devia exclusivamente à “morte” do “modelo da direita”. Infelizmente, as estatísticas não o ajudam. O número de colocados começou por cair entre 2010 e 2011. Culpa do “modelo da direita”? Mas era Sócrates quem estava no poder. Depois, o número subiu de 2014 para 2015. Mérito da “reversão das políticas de direita”? Mas era Passos Coelho quem governava. Porque é que António Costa não pode dizer as coisas simplesmente como elas são? Onde está a dificuldade?

Dir-me-ão: mas esta “narrativa”, de tão patusca, não convence. Pois não: a manipulação, quando é demasiado evidente, nunca produziu convicção, mas sobretudo desconfiança e cinismo. Como poderia ser de outra maneira, se passa uma bicicleta, e o governo diz que foi um camião? Mas o poder, ao contrário do que por vezes se diz, nunca precisou de convicções: basta-lhe o conformismo