James Foley, “Uma mensagem para a América”

Nicole Tung (freejamesfoley.org)

Nicole Tung (freejamesfoley.org)

Os jihadistas do Estado Islâmico (na sigla em inglês, ISIS, Islamic State of Iraq and Syria) assassinaram ontem o jornalista americano James Foley.

Foley desapareceu na Síria em Novembro de 2012. Em 2011, tinha sido raptado na Líbia enquanto reportava a Primavera Árabe para o Global Post. Esteve detido durante 44 dias, antes de regressar aos Estados Unidos da América. Nada que o tivesse impedido de voltar ao terreno, como recorda numa palestra na Medill School of Journalism da Northwestern University.

As circunstâncias da morte de James Foley são macabras. O vídeo divulgado pelo grupo islâmico (“A message to America”) mostra um homem que diz ser o jornalista desaparecido há dois anos, vestido de laranja. Como um prisioneiro. É forçado a ler uma declaração em que pede à família – em particular, ao irmão, que pertence à força aérea americana – que reconheça os verdadeiros culpados pela sua morte: «My message to my beloved parents, save me some dignity, and don’t accept some meagre compensation, for my death, from the same people who effectively hit the last nail in my coffin with their recent aerial campaign in Iraq.»

A mensagem termina com uma nota perversa: «I wish I could have the hope of freedom and seeing my family once again. But that ship has sailed. I guess all in all I wish I wasn’t American.» No final do vídeo, depois da alegada decapitação de James Foley, o representante do ISIS avisa que a próxima decisão de Barack Obama decidirá o futuro de Steven Joel Sotloff, outro jornalista norte-americano, desaparecido desde Julho de 2013 na Síria. Sotloff aparece na imagem, de joelhos, com a mesma túnica laranja.

Foley (e Sotloff) foi mantido em cativeiro até ao momento em que terá servido como arma política. A sua morte, na perspectiva dos jihadistas, é uma retaliação contra a ordem de ataques aéreos dada pelo presidente dos EUA.

A pergunta que martela na cabeça só pode ser esta: quantos jornalistas estão detidos? Quantos poderão ainda vir a ser sacrificados por uma causa que não é a sua? 211.

Estima-se que sejam 211 os jornalistas capturados em todo o mundo. As contas são do Committee to Protect Journalists e datam de Dezembro de 2013. A Turquia é o país com mais jornalistas detidos, 40. No Irão, são 35. Na Coreia do Norte, 32. Nos EUA, existe um jornalista detido.

2012 foi o ano em que mais jornalistas foram presos, 232. Em 2013, o número também ultrapassou as duas centenas.

Prevê-se que existam 39 jornalistas desaparecidos. E desde 1992, 1070 foram mortos.

Os números têm mais expressão quando se conhecem nomes e rostos. O jornalista americano James Foley foi assassinado ontem pelo ISIS.

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