Purl, um cliché cor-de-rosa num mundo de homens

Purl, Pixar

Purl é a nova curta da Pixar, que decidiu agarrar uma ideia que surgiu num programa interno, sobre um tema bem actual: a desigualdade entre géneros no mundo laboral.

A autora, Kristen Lester, inspirou-se na sua própria experiência para contar a história de Purl, um novelo de lã cor-de-rosa que chega a uma empresa onde todos os colegas são homens (brancos) vestidos com pesados fatos escuros. Para integrar-se na equipa, Purl tricota um fato cinzento e mimetiza os comportamentos da equipa. Ganha o respeito de todos, até ao dia em que um novelo de lã amarela chega ao escritório e Purl retoma a sua personalidade.

A curta foi lançada no YouTube, onde a maioria dos comentários é de utilizadores chocados pelo facto de a Pixar ter deixado passar algum calão (“they can kiss our ass”). O texto é bom e as piadas linguísticas passam bem. Mas as perguntas por aqui são outras.

Por que é que o género feminino é representado por novelos de lã, de ar fofo e sensível (e difíceis de deslindar), num escritório onde os homens são humanos, não bonecos?

Por que é que Purl muda de atitude e visual para tentar integrar-se num mundo de homens?

Esta curta não é propriamente para crianças, por isso, não há grande preocupação com a moral a retirar da história. Mas surpreende a moral que lhe deu origem. Não terá sido intencional, talvez. Certo é que a personagem feminina desta história é um cliché cor-de-rosa num ambiente de homens poderosos, que a acusam de ser demasiado soft. Cliché atrás de cliché.

It’s a rich man’s world.

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