
© António Pedro Santos/ Global Imagens

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I want someone with the proven strength to persevere, someone who knows this job and takes it seriously, someone who understands that the issues a president faces are not black and white and cannot be boiled down to 140 characters. Because when you have the nuclear codes at your fingertips and the military in your command, you can’t make snap decisions. You can’t have a thin skin or a tendency to lash out. You need to be steady and measured and well-informed.
Michelle Obama was the real star of the Democratic Convention’s first nighthttps://t.co/G0qHdvMEMd
— TIME.com (@TIME) July 26, 2016

© AFP/Valery Hache
13 de Novembro de 2015. Começam a surgir notificações no ecrã do telemóvel, que consulto discretamente para não interromper o concerto. Tocam os Atomic, banda de noruegueses e suecos que se apresenta em Portugal. O espaço é muito pequeno e fica de imediato dominado pelas notícias. Há, em Paris, um sequestro na sala de espectáculos Bataclan, durante o concerto dos Eagles of Death Metal. Tiroteios e explosões noutros pontos da cidade. No Stade de France e junto ao Le Carrillon. Já são mais de dez as notificações que se acumulam em poucos minutos. Morrem 130 pessoas.
14 de Julho de 2016. Os Disclosure tiveram um crash em palco, pouco depois de começar o concerto. Qualquer falha técnica. Há um compasso de espera entre o concerto dos The National e o regresso ao palco da dupla britânica. Atentado em Nice. Um camião interrompe os festejos do Dia da Bastilha, em Nice, quando atropela e arrasta durante dois quilómetros dezenas de pessoas. Morrem 84 pessoas.
18 de Julho de 2016. Primeiro dia de férias, com a praia e a piscina pela frente. Bebo um gin tónico quando caem as primeiras notícias: ataque a bordo de um comboio que atravessa a Baviera. Um rapaz de 17 anos atinge com um machado mais de 20 pessoas.
22 de Julho de 2016. A TSF noticia “caos em Munique”. Há “vários tiroteios” e “notícias de mortos e feridos”. As notificações são pouco precisas durante toda a tarde e noite quanto ao número de vítimas. Parece que quanto menor for, menos impacto terá o novo atentado. Aqui o ambiente é de festa. De festival, o Milhões de Festa. Em Munique, um rapaz de 18 anos dispara num centro comercial. Mata 10 pessoas.
O Wall Street Journal resume os acontecimentos.
In less than two weeks, Western Europe has witnessed the calm of everyday life repeatedly shattered by high-profile, indiscriminate acts of savagery, raising the sense that violence is becoming a new normal.
A pacatez desta vida normal – europeia, ocidentalizada, privilegiada – contrasta com o “new normal”. “Não andes por sítios perigosos”. Todos os sítios passaram a ser perigosos quando o terror elege como alvos os públicos de concertos, os cidadãos que passeiam pelas ruas das cidades, os frequentadores de centros comerciais. Seja o terror das lutas fundamentalistas ou das perturbações mentais.
Este sabor amargo na boca é agora habitual, pelo menos até que a banalização da violência extrema retire o choque às notícias.
E a vida pacata vai continuando a ser vivida, com a preocupação de quem tenta não pisar uma mina num campo armadilhado. Ou, no caso da Europa de hoje, com a sorte de quem tenta não estar no lugar errado, à hora errada.

Prado de San Sebastián. São dez da noite e até há pouco ainda caía sobre a cidade aquela luz brilhante que torna as cores vibrantes, causa de inveja da nossa Lisboa. Estão trinta e cinco graus na hora da partida.
Sevilla é assim. Os azuis e os amarelos rompem a atenção, o calor toma-se da energia que resta. As sangrias doces e os borrifos de água estrategicamente instalados nas esplanadas são motivo de pausa. Estamos em julho mas a semana é especialmente quente. Chega a chover, mas as pesadas gotas de água são quentes e não obrigam ao refúgio.
Quente é também o sangue dos bailarinos de flamenco cigano que se fazem esperar por duas horas, num pequeno palco da Triana. As gotas de suor pingam-lhes das caras e cabelos quando rodopiam em torno de si mesmos, parede vermelha a fazer de fundo.
Sevilla é um misto de antigo e contemporâneo. Respeita-se a tradição. A tradição do flamenco, dos leques, das loiças, das fachadas coloridas. Mas incorpora-se o moderno. O resultado está todo vertido na recepção, quando a primeira hora em Sevilla nos faz cruzar com um grupo de jovens cantores que juntam uma multidão na avenida.
Coge la guitarra hermano mío,
Coge la guitarra que hace mucho frío.
Sevilla também é um misto de culturas. As influências do norte de África traduzem-se nos imensos jardins de palmeiras altas, nas especiarias vendidas a granel nos mercados. E cruzam-se com a hora da siesta e com os espanhóis galanteadores.
A indústria do cinema e da televisão fez da cidade palco de produções como Star Wars e Game of Thrones. Estas portuguesas fizeram dela um retiro de bom viver, bom comer, bom passear. Porque tudo em Sevilla é muito muito.
Muitas tapas, muitas cañas. Pessoas de muita simpatia.
Muitos azulejos de tom marroquino. Muitos limoeiros a decorar as ruas com aquele cheiro fresco.
Muita vontade de voltar.
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