
30 antes dos 30: Gone Girl

Gone Girl. David Fincher (2014)
Amy Elliott Dunne desaparece de sua casa, no Estado americano de Missouri – onde ainda vigora a pena de morte. Nick Dunne torna-se o principal suspeito do desaparecimento da mulher, quando todas as pistas apontam para si. Gone Girl (2014) é uma viagem crua ao âmago da natureza humana, em que David Fincher e Gillian Flynn – realizador e argumentista – agarram no espectador e sacodem as suas percepções. Uma experiência cinematográfica como há poucas. Continuar a ler
30 antes dos 30: Volver

Quando Penélope Cruz ganhou o Oscar de Melhor Actriz Secundária por Vicky Cristina Barcelona, incluiu na sua lista de agradecimentos uma palavra para Pedro Almodóvar por ter escrito tantas personagens femininas fortes. Volver (2006) não é mais do que isso: uma homenagem às mulheres e, em particular, às espanholas. Continuar a ler
Stranger Things S03: Out there in the fields…
A Netflix lançou hoje o trailer da terceira temporada de Stranger Things, que sai a 4 de julho. O elenco diz que já não são miúdos nem vão continuar fechados na cave lá de casa embrenhados nos jogos de antes.
“Out there in the fields…” ouve-se no vídeo, de 2 minutos e 48 segundos e o trailer mostra as personagens de Stranger Things em novos espaços de Hawkins. Um novo diner, uma piscina pública, uma feira popular, um centro comercial… A cidade parece agora mais cor-de-rosa e muito mais teen. Mas o Upside Down continua ao virar da esquina.







“I want you to be my Vice”

Sam Rockwell equilibra uma perna de frango nas mãos quando, no seu rancho, diz a Christian Bale que o quer como seu número 2 na corrida à Casa Branca. São George W. Bush e Dick Cheney as personagens ali sentadas. O que assusta no novo filme de Adam McKay é que as interpretações dos actores são quase caricaturas. Quase, não porque lhes falte algo – eles são o mais trunfo de Vice. Quase, porque as pessoas ali retratadas são assim na realidade.
Conhecemos os seus maneirismos, expressões, formas de andar. Conhecemos o seu físico e até isso está ali perfeitamente exposto (mais uma vez, aplausos para o camaleão Christian Bale, que foi ao ponto de treinar o pescoço para que ficasse mais grosso, como o da sua personagem). E, de repente, estamos perante os Estados Unidos da América – o dos corredores do poder, onde o futuro de uma nação é decidido ao sabor das ambições pessoais; e o das ruas, onde as pessoas se deixam levar pelas meias verdades, toldadas por uma cultura de preconceitos.
Hot damn.
Como se a história da passagem de Cheney pela política americana não fosse suficiente para alimentar este filme, McKay dá um bónus. A realização de Vice é a antítese de uma conversa sobre política – mesmo quando nos fala de política. Não é aborrecida, mas dinâmica. Não entorpece, surpreende. Leva-nos a atenção por planos de pormenor longe da cena em causa e põe nas bocas das personagens a vertente narrativa da história.
Não é um filme sublime, mas o cinema vive mais das histórias romanceadas do que da realidade. Vice cumpre o seu propósito. Nem que seja por ter, de certeza, irritado alguns agregados familiares espalhados por aquela América que continua a querer ser grande novamente.
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