30 antes dos 30: 25th Hour

Edward Norton em 25th Hour

“Fuck this town and everyone in it.”

Há cinco fases do luto – negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. Montgomery Brogan (Edward Norton) é um homem que está a fazer esse caminho. Está conformado com o seu destino, mas não sabemos o que o espera durante uma boa parte de 25th Hour (2002), filme de Spike Lee, com história e guião de David Benioff. Continuar a ler

30 antes do 30: Manhattan

Manhattan. Woody Allen (1979)

Para ele, a morte é uma fatídica inevitabilidade que nos deve encher de angústia. Para os millennials, a angústia é conhecer a obra de Woody Allen a começar pelo fim. Manhattan (1979) foi, com Annie Hall (1977), um dos primeiros grandes filmes do realizador, mas a constante reinvenção da mesma história, ao longo de anos, retirou-lhe a surpresa. O brilho está lá, assim como as suas marcas clássicas. Mas já vimos este filme demasiadas vezes. Continuar a ler

30 antes dos 30: Citizen Kane

Orson Welles em Citizen Kane (1941)

Quando Martin Scorsese diz que Orson Welles abriu a caixa de Pandora do cinema, fá-lo com uma manifesta admiração no olhar. Essa reverência é partilhada entre os seus pares. É que, em 1941, Citizen Kane inaugurou uma nova era e fê-lo de forma tão perfeita quanto definitiva. Em causa estavam a forma e o conteúdo daquele filme, embrulhados no olhar revolucionário de um jovem génio e entregue aos espectadores através daquela que se tornou a sua obra-prima. Continuar a ler

30 antes dos 30: mais filmes, menos anos

The Grand Budapest Hotel

É hábito da nossa civilização organizar tudo em listas. Das listas das compras às listas de melhores do ano. São músicas, álbuns, filmes, livros… São listas de compras e bucket lists.

Quando criei a lista dos 30 antes dos 30, parti de Scorsese e reuni recomendações de cinéfilos amigos. Mas o mundo do cinema é muito grande e as recomendações multiplicam-se. Algumas coincidem e são incontornáveis, outras são menos óbvias.

Todas têm lugar neste espaço. Das sugestões dos youtubers, que se dedicam a fazer reviews, às grandes colectâneas, como a dos 100 melhores filmes para os leitores da BBC. Das obras que deviam ser mostradas nas escolas às escolhas dos críticos, passando pelas sugestões de alguns realizadores (Spike Lee, Jim Jarmusch, Woody Allen, Akiro Kurosawa…). Das reviews do Roger Ebert às referências do Robert McKee na bíblia que é o Story. Sem esquecer aquela sugestão do Pedro Mexia que se ouve na rádio ou as dicas que o Nuno Markl vai lançado nas redes.

A lista foi actualizada e está aqui.

30 antes dos 30: 2001: A Space Odyssey

2001: A Space Odyssey. Stanley Kubrick (1968)

This is Major Tom to Ground Control
I’m stepping through the door
And I’m floating in a most peculiar way
And the stars look very different today

Roger Ebert disse que 2001: A Space Odyssey lhe provocou arrepios e que nenhum crítico de cinema deveria alguma vez proferir afirmação tão pirosa. A obra prima de Stanley Kubrick prestou-se a inúmeras leituras e, ainda hoje, o seu significado é uma incógnita para os que não deixam de fazer perguntas. Entre as poucas certezas, uma resistiu a estes 51 anos: foi aqui que se fundou a era moderna da ficção científica no cinema. Foi aqui que o espectador passou a sonhar com o que está para lá do visível e com o que é possível nessa grande odisseia das viagens espaciais. Conseguir fazê-lo no ano de 1968 é mais do que suficiente para provocar arrepios. Continuar a ler